A muuuitos anos atrás vi uma foto na então Revista Terra. Era uma matéria sobre trecking no glaciar Perito Moreno e a foto em questão mostrava somente o pé de um viajante com os grampões para caminhada no gelo atrelados à bota e cravados na superfície gelada do glaciar. Foi olhar e sonhar que um dia meus pés me levariam a viver aquilo.
Sonho sonhado, sonho realizado.
Em um 6 de setembro, véspera de feriados, baixa temporada (o que significa menos gente e preços mais acessíveis) e com mais de 20 dias de férias pela frente, saí sozinha de Curitiba para conhecer uma das mais lindas regiões do mundo: a Patagônia Sul. Roteiro detalhadamente traçado com ajuda de guias especializados e da internet. Dizem que uma viagem começa no exato momento em que decidimos viajar e é verdade. A minha começou quando iniciei as pesquisas, uns três meses antes do embarque.
Minha porta de entrada foi Ushuaia, em um voo desde Buenos Aires. Esta região sempre me atraiu, pelo frio, pelas montanhas - pertinho dali começa a Cordilheira dos Andes - e por estar bem próximo mesmo do 'fim do mundo'. Estava imensamente feliz. Desembarquei no aeroporto com 6°C, o que foi uma surpresa pois saí de Curitiba com temperatura menor que essa e eu sempre espero mais frio, ainda mais ali tão pertinho da Antártida.
1° foto, ainda do avião: montanhas nevadas e as águas do Canal de Beagle lá em baixo.
Ainda do avião, chegada em dia nublado.
Ushuaia disputa o título de cidade mais austral do mundo com a localidade de Pto. Williams, no Chile, sendo esta realmente mais ao sul. Mas a distância é tão pequena... São tão próximas uma da outra. Pra mim não faz a mímina diferença...
Em Ushuaia tinha três destinos traçados: navegar pelo Canal de Beagle, conhecer o Parque Nacional Terra do Fogo e caminhar nas montanhas nevadas com adaptadores nos pés (as antigas 'raquetes'). Aproveitando para esclarecer: o nome 'Tierra del Fuego' foi dado ainda pelos desbravadores europeus, pois avistavam de suas embarcações enormes fogueiras acesas pelos antigos povos indígenas para se aquecerem do frio intenso.
A navegação pelo canal é tranquila, o barco desliza suave e silenciosamente em águas calmas apesar do vento forte e constante. Mas nem sempre é possível sair para o passeio no horário marcado: dependendo das condições climáticas, muito oscilantes na região, corre-se o risco de cancelamento. Não foi o meu caso, felizmente.
Do barco avistam-se, além da magníficas montanhas, colônias de barulhentos e preguiçosos lobos marinhos em época de reprodução e várias aves, entre elas os cormoranes reais, bem parecidos com pinguins e também ótimos nadadores: podem mergulhar até 30 mts atrás de cardumes. Nas ilhas a convivência entre lobos e aves é exemplarmente pacífica.
No mesmo canal passamos pelo farol Les Eclaireurs (Os Escoteiros), que erroneamente é indicado como sendo o farol do fim do mundo. Este está na Isla de los Estados, um pouco mais ao sul.
Um belo dia, com belas imagens e belos sons.
Ushuaia protegida por suas montanhas.
Imponência logo ali.
Felizmente nesta época não havia os navios de cruzeiros.
A mãe natureza aqui desenhou à mão.
Overdose de montanha.
Parece que Ushuaia está deitada nas mãos das montanhas.
Cenário perfeito!
Happy family.
Solzinho... preguiça...
Os cormoranes com seus incríveis olhos azuis. Os com topete estão solteiros(as). Curioso, não?
Todos em paz por aqui.
O farol que não é o do fim do mundo.
Regresso com direito a um lindo fim de tarde.
Mais um cãopanheiro de viagem. Este me acompanhou em uma caminhada por toda a cidade até resolver deitar neste jardim. Fotografei, me despedi e nunca esqueci.
A ida ao Parque Nacional Terra do Fogo foi gelada, apesar do nome. A trilha estava literalmente congelada e a 1 1/2 hora de caminhada feita de tênis devido a problemas com a bota, quase congelou meus pés! E quase congelou a câmera também. E meus joelhos. Não pude ir devagar como queria devido a isso. Porém, mais uma vez a paisagem compensou o frio e o vento. A idéia era seguir até a fronteira com o Chile, mas sem as botas tive que voltar de um ponto alagado e com muita lama. Fazer o quê... Aproveitei para sentar à beira do Lago Roca e contemplar...
Visual da trilha.
Férias para os meus pés!
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas o que eu realmente esperava fazer um Ushuaia era caminhar na montanha. E lá fui eu, acompanhada de guia e um colega alemão. Já no caminho a paisagem mudava, e eu cada vez mais encantada com tudo. No começo, até acostumar com o acessório nos pés, a caminhada é mais lenta. Mas peguei o jeito rapidinho. Devo ter experiência de outras vidas... Caminhamos na neve fofa, com neve caindo, pulando galhos de árvores e apesar das 'raquetes' ajudarem, em alguns pontos afundávamos mesmo. Eu adorando tudo. Lá em cima o guia tirou da mochila uma garrafa com chocolate quente para nos aquecer. Delícia. Dia inesquecível. Alma feliz.
Não dá vontade de viver aqui? A maioria dirá "não!"... menos eu.
Equipamento básico e lá vamos nós!
Bem que procurei, mas o Bambi não apareceu.
Hora da descida. Passou tão rápido!
Ushuaia se despediu de mim, me presenteando com uma belíssima nevasca na última noite... Nem reclamei de ter que sair às 05:30 (horário em que vieram me buscar em uma Sprinter para começar a viagem até Punta Arenas, no Chile). Como ainda estava escuro não pude admirar parte do caminho, e acabei dormindo, cansada da caminhada no dia anterior. Após 08 horas de estrada, parada em Rio Grande para trocar a van por um ônibus. De lá, mais 3 1/2 horas até Punta Arenas.
Saindo da Argentina.
Neste último trecho um dos momentos mais esperados, alucinantes e inesquecíveis (outro??) da viagem: a travessia do Estreito de Magalhães... Eu cheia de planos, descer e tirar muitas fotos e tal. Que nada! O 'bicho tava pegando', vento muito forte e proibiram geral. Todo mundo dentro do ônibus, com um filme de ação passando com volume nas alturas e sem visibilidade nenhuma porque a embarcação que faz a travessia tem proteção metálica nas laterais, o que impede a visão. Que ótimo.
Desnecessário falar que o ônibus balançava de um lado a outro, e de cima para baixo, simultaneamente. Sentia o banco sumir debaixo de mim. Apesar do volume do filme (aí entendi o porquê) ouvia as ondas quebrando e vindo 'de chuá', água escorrendo pelas janelas ... Como disse um senhor, o cavalo estava chucro ! Foram apenas pouco mais de 20 min. de uma emocionante travessia, me senti uma criança na montanha russa!
Imediatamente após, paramos para o almoço (também entendi porque não pararam antes...), de onde fiz o filminho abaixo, somente depois de conseguir chegar em uma parede para me encostar e ficar mais firme. As fotos que tentei fazer ficaram totalmente estremecidas.
Aqui é onde o vento faz a curva e dá marcha ré.
Minha estada em Punta Arenas resumiu-se a duas noites, pois apesar de ser bonitinha (uma miniaturazinha de Santiago) só passei por ali para seguir viagem rumo a Torres del Paine. Na verdade nem precisaria passar por ali, mas queria conhecer a cidade, uma vontade antiga também.
No meu dia em Pta. Arenas fui caminhar por lá e o que impressionou foi a mudança climática: acordei com leve nevasca, saiu sol, choveu, nevou de novo, sol, chuva... Como venta muuuuuuuuito estas mudanças são comuns.
Em uma esquina tive que segurar em um poste para não ser carregada. E à noite escutei no noticiário que os ventos aquele dia chegaram a 90 km/h. Hã?
Dia seguinte e lá vou eu de novo, desta vez até Pto. Natales. Cidade pequenininha, tive dificuldade de conseguir onde ficar por ser fora de temporada. O tempo chuvoso, nublado e frio.
Esta era a 'vitrine' do lugar onde fiz minhas refeições em Pto.Natales. Durante o dia ele trabalhava, e à noite trocavam os objetos por um prato de comida, uma garrafa de vinho e velas.
De lá fui ao Parque Nacional Torres del Paine. Sabia de ante-mão que o lugar era lindo, mas... é MARAVILHOSO! Lindo, lindo, lindo. O único porém é que, ironia do destino, não consegui ver as famosas torres. Havia sol no parque, menos onde estavam as protagonistas do lugar. Alguém lá em cima estava rindo muito às minhas custas...
Mas a profusão de azuis de seus lagos até me fez esquecer. Colírio para a alma.
Existem trilhas por todo o parque, que podem levar até 7 dias, e que estavam fechadas por ainda ser inverno. Deve ser lindo também na primavera. Quem sabe um dia volto para conhecer melhor, mas não sozinha. É preciso dormir por lá e apesar do espírito aventureiro, acho que não encaro.
Já no começo, uma bela paisagem de boas vindas!
Então... por ali onde estão aquelas nuvens estão as Torres. Acredite se quiser.
Imensidão azul
Para onde se olhe, só beleza.
E as nuvens lá, teimosas...
No caminho para o Lago Grey.
Beira do Lago Grey, com pedaços do glaciar de mesmo nome.
Lago Grey, com o glaciar ao fundo.
Já quase saindo do parque e nada das nuvens saírem também... Fica para a próxima.
Depois de tanta beleza e energia chega a hora de seguir viagem rumo ao principal motivo, aquele citado lá no início do post: o trecking no Perito Moreno.
A viagem entre Pto. Natales e El Calafate foi no mínimo curiosa: estávamos eu e um casal, sendo que este desceu meia hora depois, em uma fazenda onde moravam. Foram 5 1/2 horas com motorista particular, ele fechado na cabine e sendo proibido conversar (no Chile, proibido é proibido e não se discute). A paisagem novamente foi mudando. Montanhas no horizonte deram lugar à imensidão da estepe patagônica. A estrada não pavimentada, com muitas pedras (o famoso rípio), e deserta. Só cruzamos com um pastor conduzindo calmamente suas ovelhas.
Fiquei muito tempo olhando para elas no início deste trecho.
Aduana argentina, no meio do nada.
Por muitos kms a paisagem foi essa. Pesquisei mas não consegui descobrir de onde são estas águas cor de café com leite, embora limpas.
As águas misteriosas, aqui e ali, em pequenas e grandes porções.
Estamos perto.
El Calafate me surpreendeu. Para pior. Sendo destino de turismo em massa devido às inúmeras atrações na redondeza, a cidade cresceu demais e vi muitas construções de casas e prédios, pela cidade toda, até na beira do lago. Há que ter cuidado com este desenvolvimento desenfreado.Um verdadeiro canteiro de obras. Mas é bonitinha, apesar disso.
Rua central de Calafate.
Saí cedo rumo ao glaciar em um dia muito frio, com fina e escassa garoa, e sem café da manhã. Esqueci de mudar o relógio para o fuso argentino e justo quando me preparava para fazer uma pequena refeição sabendo que só comeríamos após a descida do gelo, chega o guia. Achei estranho virem me buscar 'tão cedo'. Na verdade, só fui me dar conta do horário às 5 da tarde... Eles estavam certos (claro!). Tinha passado o dia anterior com fuso chileno!
Já dentro do Parque Nacional Los Glaciares pegamos uma pequena embarcação na beira do lago Argentino para irmos até o ponto de onde saímos caminhando até o glaciar. Hora de colocar os grampões na bota (na hora a tal foto da revista me veio à cabeça... uau, lá estava eu!). Uma breve aula de como caminhar no gelo e repetidas advertências dos dois guias sobre andar sempre em fila indiana atrás de um deles, repetindo o caminho.
O perigo estava nas muitas fendas no gelo e era preciso saber onde pisar. Um deles ia mais à frente verificando onde era mais seguro e o outro acompanhava o pequeno grupo. Nunca até hoje estive em um lugar tão gelado, tão frio. O tempo continuava fechado, não havia sol para aquecer e o frio não deixava ficar parado. Era preciso se movimentar até nas paradas para fotos. Os guias já haviam avisado sobre isso: não parar. E para os que viessem a sentir mais os efeitos do frio, caminhar movimentando os braços. Caminhei com a câmera por dentro da parka e era uma verdadeira corrida contra o tempo tirar fotos, pois tinha que retirar as duas luvas (uma de malha e outra bem mais grossa e impermeável) pegar a máquina rápido e fotografar rápido, para não congelarem os dedos. Muito frio mesmo! Imagino o que passam os montanhistas que escalam altas montanhas como o Everest.
Se você um dia se aventurar por lá, esteja com roupas apropriadas: calça impermeável por cima de uma (no mínimo) que segure o calor do corpo e uma parka idem, idem. Além das botas também impermeáveis. E luvas. E gorro. Duas pessoas do grupo estavam agasalhadas, mas com roupas comuns e não aguentaram o tranco.
A caminhada em si é fantástica! Cravar os grampões no gelo a cada passo para não cair (gelo é liso, lembram?)
é emocionante. E os ruídos do glaciar se movimentando é indescritível. Sim, a geleira se move. Enquanto ouvimos tanto falar sobre o derretimento das geleiras mundo a fora, Perito Moreno avança incríveis 2 metros por dia. E este movimento faz com que enormes blocos de gelo se encontrem e se comprimam, fazendo com que, eventualmente, enormes pedaços despenquem da beirada do glaciar, caindo no lago. Enquanto estávamos lá em cima ouvimos o barulho de uma destas quedas. E só nos demos conta do tamanho dos pedaços quando, na hora de voltar, fomos informados que a travessia estava suspensa até que voltassem as condições de navegação no lago. E tivemos que esperar bastante. Ainda assim o barco voltou devagar, desviando destes 'pequenos' icebergs que estavam por toda a parte. Mais emoção!
Para quem gosta da cor azul, esse trecking é o paraíso. Parece que saímos da Terra e chegamos em um planeta azul. Azul total. Azul intenso.
O dia passou rápido, era um misto de emoções, queria ver tudo, aproveitar todos os instantes. Estava realizando um sonho de muitos anos. E tinha consciência disso.
Chegada ao Parque Nacional.
Paredões que variam de 60 a 80 metros de altura.
De dentro do barco, na ida.
Chegando. Os pontos desfocados são pingos de chuva na lente.
Talvez seja difícil visualizar, mas aqui a imensa massa de gelo parece repousar sobre as pedras. Note as gotas do degelo caindo. E que azul!
Grampões colocados (este é meu pé!). Lá vamos nós.
Logo no começo, uma foto do que ficou para trás.
E mais uma.
Apesar do perigo, os tons de azul são impressionantes.
Vendo as fotos sou capaz de escutar os estalos...
Planeta azul.
De repente, um laguinho.
Por aqui não se caminha.
Na hora de ir embora a surpresa: não dá pro barco sair com o lago assim... Espera.
Agora vamos bem devagar.
É lindo. Um enorme cristal de gelo...
Vista da passarela que visitamos na volta.
A árvore estava cheia deles. Privilegiados.
Eu, que já estava realizada, recebi outro presente da mãe natureza em meu último dia em Calafate: outra bela nevasca. Fiquei na rua, andando para conhecer o centrinho da cidade, e a neve caindo. E minha alma cada vez mais feliz... Aproveitei a trilha sonora de uns hippies que estavam recém abrindo suas barracas de artesanato para gravar este vídeo. O cenário não é dos melhores, mas quis aproveitar a música e o astral:
Aproveitei para fotografar durante a neve.
Minha estada na patagônia sul estava acabando. No fim da tarde sairia o voo até Trelew (1.300 kms de distância), de onde seguiria de ônibus (1 hora de chão) para Pto. Madryn. Agora meu objetivo era ver as baleias e elefantes marinhos na Península Valdés e ir até Punta Tombo ver o que? Pinguins ! Muitos ! Como o voo atrasou e cheguei 22:30 em Trelew, tive que me virar e achar um lugar para ficar, já que isso não estava no roteiro. Coisas que podem acontecer em qualquer viagem. Até que a cidade se mostrou interessante, tive meio dia para dar uma geral por lá. Tem uma universidade e um conceituado museu paleontológico. Além de árvores lindas espalhadas pelas ruas. Não foi de todo mal.
Pto. Madryn é um pequeno balneário de águas límpidas e tranquilas. Bonito o lugar, com várias opções de hospedagem, mas como estava em plena temporada de reprodução dos bichinhos e a cidade é a base para quem quer ir visitar a península, só consegui um quarto na terceira opção da minha lista. Bem localizado, a meia quadra da praia. Se fosse verão...
Depois de tanta neve, mar e um pouco de calor.
Mais uma vez a sorte: na Península Valdés havia muitas baleias e tive o privilégio de fotografar e filmar uma mãe e seu bebê! São baleias franca. A avistagem segue rígidas normas e é feita em total silêncio. Os animais cercam o barco, que permanece parado, passam por baixo, saltam, esguicham, 'falam' entre si. Um espetáculo emocionante. Também na colônia de elefantes marinhos, várias mamães e seus bebês! E mais sorte ainda (para mim, não para os pequeninos): havia uma orca rondando a região... Apesar de saber que é a lei da sobrevivência, felizmente não presenciei nenhum ataque.
Mamãe baleia de barriga prá cima e seu filhote ao lado.
É um bebê... e já pesa umas 3 toneladas.
A clássica...
E outra.
Caleta Valdés, onde logo veremos os elefantes marinhos.
Um macho, que é bem maior que a fêmea, e um pouco diferente também.
E uma fêmea. Aqui o silêncio é total também.
Várias mães com seus filhotes. Um berçário.Na verdade, um harém. O macho está lá. Cuidando de todos.
Esta acabou de parir não faz muito tempo, ainda suja. E o bebê, com cara de recém nascido, como em todas as espécies.
Hora do leite!
Estava empolgada para ir a Punta Tombo, um pouco mais distante : cerca de 180 kms ao sul. Lá está a maior reserva continental do mundo dos pinguins de Magalhães. São aproximadamente 500 mil deles, que vão para lá na época da reprodução. Em agosto chegam os machos para preparar os ninhos e depois do trabalho feito, começam uma cantoria (ou gritaria?) para anunciar à fêmea onde ele está. Inacreditavelmente formam-se os mesmos pares todos os anos e ela conhece o 'grito' do parceiro. Perfeição. Quando fui havia pouquíssimas fêmeas, mas os machos já estavam preparando o terreno. Se a quantidade já era grande, imaginei como deve ficar quando estão com a família completa, incluindo os filhotes. Superpopulação! Ficam por lá até março/abril e depois migram. E em agosto começa tudo novamente...
No local a preferência em tudo é deles. Não espere interação e nem haja como se estivesse em um zoológico. Lá a casa é deles e não nossa. Não se deve jamais ficar na frente de algum que por ventura venha em sua direção, ele não está vindo brincar com você e vai perder o rumo, de verdade. E nunca tentar afagá-los, nem sequer tocá-los. Além de ser errado, eles podem reagir mal. Respeitar a natureza deles acima de qualquer coisa (como deveria ser com todas as espécies, em qualquer lugar, em qualquer ocasião).
São bem engraçadinhos, com seus 50 cms de altura e andar desajeitado. E como gritam! Vários gritando ao mesmo tempo!
A circulação para nós, humanos, é restrita a algumas áreas. Apenas pesquisadores tem autorização para circular. É um local que sem dúvida faz qualquer um se sentir privilegiado por conhecer.
Buracos na terra são ninhos.
Esta foto já esteve na capa do site deles: @oviajantecom
A minha respiração, quase um suspiro, não deu pra controlar...rs.
O vento estava forte por lá também... dá para escutar.
Sem a menor cerimônia.
(e tem gente que teima em falar alto.)
É por aqui que eles chegam.
Sempre me pergunto: o que estará passando nesta cabeça?
Quero que você me aqueça neste inverno...
Punta Tombo está a 1.300kms de El Calafate e também 1.300 kms de Buenos Aires.
Tudo visto e bem vivido, hora de partir. A chegada em Buenos Aires foi tumultuada, tema para outro post.
Para finalizar, uma foto do que estava na parede do hostal lá na primeira parada: Ushuaia.
E uma frase que li e traduz bem tudo que fiz: "À noite o corpo está em frangalhos, mas a alma bate palmas!"
É isso aí!



