Artesanato riquíssimo.
A mudança que não me agradou, e também a muitos visitantes que seguem de trem a Machu Picchu , é a obrigatoriedade de comprar tickets no vagão exclusivo para turistas. Além de ser muito mais caro do que antes, perde-se o contato com a população local. Isto para mim faz toda a diferença.
Felizmente tive a sorte de, nas duas primeiras viagens, viajar no trem junto com todos os demais. E ali ver desde galinhas vivas até carne assada de porco sendo vendida embrulhada em jornal, trem lotaaado, muitas mulheres com seus bebês amarrado às costas como é de costume entre os povos descendentes dos Incas. Uma muvuca geral. Uma interessante e colorida muvuca.
Como já conhecia as mundialmente famosas ruínas, optei nesta última visita por não ir até lá justamente porque não poderia mais desfrutar desta curiosa e pitoresca viagem entre os cidadãos locais.
Costume de carregar as crianças às costas.
E engana-se quem acha que não há mais o que fazer por lá. Que a cidade é apenas o ponto de partida até Machu Picchu.
Cusco é cercada de sítios arqueológicos super interessantes e em lugares lindos. E a cidade é muito bem servida de belíssimas igrejas, heranças da colonização espanhola. A arquitetura característica de suas construções, com balcões e arcos, também é uma atração à parte.
Eu sou uma eterna apaixonada pela cidade, digamos que foi paixão à primeira vista. Uma paixão que dura mais de duas décadas.
Uma pequena cidade que é o destino mais visitado na América Latina. Isso traduz-se em conhecer pessoas de todas as partes do mundo: alemães, ingleses, americanos, japoneses, austríacos, canadenses, franceses, espanhóis, além de todos nossos vizinhos de países sul americanos. Uma cidade onde, durante o dia, vai-se às inúmeras atrações turísticas e à noite, dependendo da sua energia e vontade de se divertir, em ótimos bares e restaurantes com música típica ou animadíssimos pubs embalados pelo melhor rock'n roll. Só fica dormindo quem quer... e quem vai querer?
Antiga capital do império Inca (o mais importante império pré-colombiano, cuja extensão abrangia terras peruanas, chilenas, argentinas, bolivianas, colombianas e equatorianas), foi devastada na tomada pelos povos europeus que chegaram com armas de fogo e armaduras, destruindo grande parte de suas construções para utilizar o material na construção de suas casas e igrejas.
Ainda hoje fala-se na cidade, entre os povos descendentes, a língua quéchua e seus inúmeros dialetos.
E entre as tradições mantidas está a adoração ao deus Sol (Inti). Existe um grande festival anual que acontece dia 24 de junho nas ruínas de Sacsahuamán, a 2 kms ao norte de Cusco. O festival de Inti Raymi. Durante todo o mês de junho podemos ver na cidade várias manisfestações folclóricas ao redor da praça central. É um evento que está no calendário turístico e atrai milhares de visitantes do mundo todo, os hotéis ficam lotados e tudo fica mais caro (como no carnaval no Rio de Janeiro...). A cidade se enche de cores.
Crianças no desfile escolar das comemorações de Inti Raymi.
Sacsahuamán é uma delas: antiga fortaleza inca, de proporções incríveis, de onde tem-se vista panorâmica da cidade. Atualmente restam apenas 20% do que foi, pois os europeus destruíram seus muros para reutilizar as pedras. Mesmo assim impressiona.
Sacsahuamán
O Vale Sagrado é outro lugar mágico. Entre montanhas majestosas (eu e as montanhas...) descem pequenos rios e lá embaixo, também majestoso, corre o rio Urubamba (urubamba = vale das borboletas). Uma paisagem linda. Na minha segunda viagem tive a coragem (graças ao meu amigo Marcelo) de fazer rafting neste rio. Inesquecível e emocionante.
Vale Sagrado
Ali ao redor do vale estão Pisac - 33 kms de Cusco - e Chinchero, 28 kms.
Em Pisac está um dos mais impressionantes sítios arqueológicos incas, que eu só fui conhecer nesta útima viagem. Acesso a pé, por um caminho quase indiano, e a quase 4.000 mts de altitude. Andar por lá é exercício de paciência: com pressa não se chega a lugar nenhum pois o ar rarefeito simplesmente não deixa. Mesmo. A visão lá de cima é indescritível.
Na volta ao povoado de mesmo nome, aproveite para visitar a feira de artesanato. Quando fui a primeira vez ao povoado esta feira resumia-se à praça. Hoje em dia tranformou-se em um verdadeiro labirinto pelas ruas.
Ruínas de Pisac
Ruínas de Pisac
Ruínas de Pisac
Caminho a quase 4.000 mts de altitude
Mercado em Pisac
Chinchero é para mim sinônimo de paz, silêncio e contemplação. A 3.800 mts de altitude e rodeado por montanhas nevadas (você está praticamente na mesma altura dos picos nevados... Lindo demais.), andar por suas ruelas é uma viagem ao passado. Claro que é frio, muito frio.
Torre da igreja em Chinchero
Muito comum ver nos telhados das casas ao redor de Cusco. Acredita-se que protegem dos males espantam os maus espíritos.
Outro lugar que adoro, a 60 kms de Cusco, no meio do caminho para Machu Picchu, é Ollantaytambo. É onde está a única cidade da era inca ainda habitada. Suas fortalezas e terraços agrícolas são imensos e lindos. O povoado é lindo, com ruazinhas idem. E por questões particulares, um lugar inesquecível para esta que vos escreve...
Na última visita, surpreendida por encontrar a igrejinha local aberta (coisa rara por lá) entrei no que pensei ser uma missa comum e fiquei bem atrás. Ao olhar com mais atenção vi que era a única com roupas coloridas e provavelmente a única que não estava chorando. Olhei com mais atenção e então percebi que era uma missa... de corpo presente! Bem sem jeito, saí quase andando de costas para não chamar a atenção...
É de Ollantaytambo que partem os que seguem a pé para Machu Picchu pelo famoso Caminho Inca.
Ollantaytambo
Existem muitas outras ruínas que valem a visita, todas bem perto de Cusco.
Mas a cidade de Cusco se basta. Nada melhor que somente caminhar por suas ruas, descobrindo becos e curiosidades. Subir e descer suas ladeiras. Conversar com as pessoas. Conhecer histórias. Sentar em um dos bancos da praça e só observar.
E não é que de repente, em uma tarde qualquer, um casamento na Catedral...
Também as não menos belas igrejas de Santa Catalina, La Merced, San Blas e San Francisco.
Não poderia deixar de indicar a visita ao 'complexo' de San Domingo. Construído sobre os muros do lugar mais importante de culto de todo o império Inca: Koricancha. Existe uma lenda, que como tal não é confirmada, que as paredes deste templo eram totalmente revestidas de ouro, pois era ali que realizavam os mais importantes cultos de adoração ao Sol.
Vítima de dois terremotos, a igreja teve que ser reconstruída, por duas vezes. As fundações incaicas não sofreram nenhum dano. Craques na arquitetura e engenharia!
Este é outro local que, quando da minha primeira visita, estava um tanto abandonado. Agora, reformado, parece outro lugar.
Possui uma interessante e valiosa pinacoteca. Se possível vá em visita guiada para entender melhor o lugar e o significado do que vai encontrar por lá.
Compañia de Jesus
Koricancha (San Domingo)
Koricancha. Note a diferença entre a construção inca e a espanhola.
San Francisco
Arco Santa Clara
Outra atração na cidade é o Mercado Municipal de Cusco. Um show de cores, sabores e... aromas, estes nem sempre agradáveis pois tudo fica exposto nas bancas, desde frutas até carnes. Mas ali há uma infinidade de artigos, bem baratos. Lugar ideal para comprar aquelas lembrancinhas de viagem.
Hospedagem em Cusco geramente não é problema, a cidade tem desde hostels baratíssimos (ok, não me responsabilizo pela limpeza e segurança destes lugares) até hotéis 5 estrelas. Muitos hotéis e pousadas.
Comida boa e barata também.
A cidade está a quase 1.200 kms de Lima e a melhor maneira e chegar é de avião, em um voo de aproximadamente 2 horas de duração. Pode-se ir também de trem ou ônibus desde a fronteira com a Bolívia nas proximidades do Lago Titicaca. Este trecho apesar de cansativo, reserva paisagens maravilhosas.
Linda paisagem na chegada.
No mais, aquela dica que vale para qualquer viajante em qualquer lugar do mundo: cuidado com seu dinheiro, passaporte, câmera fotográfica. Principalmente em locais com aglomeração de pessoas.
Se interessou, busque as boas ofertas que as cias. aéreas fazem, arrume a bagagem e boa viagem!
Será uma viagem riquíssima em cultura e com boa dose de aventura!
Desfrute Cusco com calma, veja seus detalhes, sinta seus aromas, saboreie sua comida, conheça seus segredos... Com certeza você vai querer voltar um dia, assim como eu.
Fotos: Cobra Urbana
Mapa: allaboutperu






























