segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia das Bruxas ou Halloween



Este dia, para ter o mesmo significado original dos povos pagãos - celtas, druidas - deveria ser comemorado aqui no dia 1° de maio. 
Porque, como os pagãos cultuavam a divindade existente na natureza a data tem a ver com as estações do ano e seus significados.
Lá, no hemisfério norte, está chegando o inverno, ou acabando o verão.
Era crença dos celtas que na noite do dia 31 os mortos visitavam seu local de nascimento. Uma noite sagrada, como diz o nome Hallow Even = Hallowe'en. Noite que não tem nada de fantasmagórico como muitos podem pensar. Ao contrário, é uma noite onde os antepassados são homenageados e reverenciados.
Na Idade Média quem comemorasse a data era considerado bruxo e perseguido pela inquisição. A partir daí o Dia das Bruxas começou a ter relação com o Halloween.
A igreja católica, em função da cristianização dos povos pagãos e para apaziguar as diferenças, mudou o dia de comemoração de todos os santos e de finados para os primeiros dias de novembro. Não é coincidência.
Também de acordo com o calendário celta, hoje seria véspera de ano-novo. Somado a isto o fato de ter a 'ajuda' dos seres espirituais na noite de hoje, faz com que o dia seja considerado o melhor para fazer uso de oráculos, como tarô e runas.
Com o tempo os verdadeiros significados foram se perdendo como podemos observar nos Estados Unidos, onde a festa de Halloween está praticamente resumida à oportunidade de as pessoas saírem fantasiadas e as crianças irem à busca de guloseimas, 'ameaçando' os demais com as palavras 'doces ou travessuras?' (trick-or-treat).
No Brasil, que entrou de gaiato na história, é apenas uma data para festar, mesmo que a grande maioria nem saiba porquê...


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Chimpanzés ficaram 30 anos sem ver a luz do dia. Testes em animais: e se fosse você?

Muitos já viram este vídeo, que andou 'bombando' por aí, sobre os chimpanzés que se abraçam ao ganhar 'liberdade' e ver a luz do dia pela 1°vez (respeito a opinião de quem diz que aquilo não foi um abraço, mas quer saber? para mim foi mais que um abraço: percebam a comunicação dos sentimentos com o sorriso e o olhar? Comparem com as expressões dos animais presos...)

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2011/09/05/chimpanzes-veem-a-luz-do-dia-pela-primeira-vez-e-se-abracam/?cp=35#comment-130421

Quer saber? Esse vídeo me fez chorar. Primeiro ao ver a cena dos abraços e as expressões que seguem, depois de revolta. Já parou para pensar se o homem tem o direito de usar outra criatura fazendo testes e experiências unicamente para proveito próprio? Muitas vezes apenas por vaidade, comodidade, praticidade.
Não, acredito que não temos esse direito.

Mas devagar as coisas mudam: a União Européia proíbe testes em animais para fins cosméticos há mais de 5 anos; aqui no Brasil temos o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos* (Bracvam), que é o primeiro centro da América do Sul a desenvolver métodos que não utilizem animais nas pesquisas (fonte:Anvisa*); e cabeças consideráveis da comunidade científica internacional se preocupam com o assunto.
Mas muito ainda precisa mudar, principalmente nos experimentos ligados à medicina e à indústria farmacêutica. E isso inclui muitos métodos... Assunto polêmico.

Várias associações sem fins lucrativos arregaçam a manga e vão à luta contra estas práticas. Se você, assim como eu, não vai para as linhas de frente, pode colaborar de outras maneiras.
Consegui uma lista das empresas que fazem testes com animais, no site da organização de direitos animais PETA. Velhas conhecidas de todos. Veja :

http://www.peta.org/living/beauty-and-personal-care/companies/search.aspx?Testing=1&PageIndex=1

E você, de que lado está?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Reabertura da "Rua 24 Horas" - Curitiba


E eis que depois de 4 anos fechada a Rua 24 Horas, em Curitiba, finalmente reabrirá em setembro para deleite dos turistas, muitos ainda procurando em mapas pelas ruas a atração turística citada em muitos guias de viagem, sem saber que estava cercada de tapumes. Pelo menos estes turistas que por ventura tenham ido até o local e visto tapumes ficaram com uma imagem melhor do que aqueles que até bem pouco tempo atrás achavam ali um lugar abandonado, perigoso e sujo.
Coincidência ou não, a frequência da antiga Rua 24 Horas caiu vertiginosamente após um crime fatal acontecido no local. Não vou entrar em detalhes, quem é daqui lembra e sabe. Jogada às moscas, culminou com o fechamento.
É bom ver que foi restaurada, mas gostaria de saber como será feita a segurança, tanto dentro da rua como nas adjacentes (Visconde do Rio Branco e Vinte e Quatro de Maio). Quem será responsável, a Guarda Municipal?

E a pergunta que não quer calar: se é rua"24 horas", por que as lojas/serviços só abrirão à noite se quiserem?? Essa eu juro que não entendi.

Para quem não é daqui conhecer, matéria que foi ao ar hoje na tv local - no vídeo ainda aparece a minha "menina dos olhos" da Curitiba turística: nossa linha turismo, com seus ônibus de dois andares... :)

http://g1.globo.com/videos/parana/v/reformada-a-rua-24-horas-deve-reabrir-em-setembro/1614805/#/ParanáTV1/%20%20Edições/20110831/page/1


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Onde está a felicidade?

Movida pela curiosidade e esperando menos do que vi, fui ao cinema hoje para ver "Onde Está a Felicidade"
(sim, EU fui ao cinema! Quem me conhece sabe do que estou falando...).
Li as críticas e muitas falavam que a familia Lombardi/Riccelli havia errado a mão. Mesmo assim queria matar a curiosidade de ver o quê do Caminho de Santiago seria mostrado.

Para minha surpresa, o filme mostrou ser mais do que eu imaginava no quesito 'comédia'. Dei boas risadas com o texto!
E também foi hilário ver a personagem de Bruna Lombardi (tá bom, a interpretação dela deixa um pouco a desejar, mas e daí?) tentando fazer o Caminho com uma mala de rodinhas contendo cremes para todos os fins e até uma chapinha para os cabelos... Sem falar nas roupas e calçados totalmente inapropriados.
Claro que a chegada a Santiago de Compostela e a retirada da Compostela (que é o certificado de que o caminhante fez o Caminho, como um diploma) não poderia ser diferente - e não vou contar, caso você ainda não tenha visto e queira ver.

Filme bem produzido, colorido como um Almodovar e com excelentes participações dos outros atores.
Mostra menos do que eu pensava sobre o Caminho em si, mas o que apareceu foi suficiente para me fazer derrubar algumas teimosas e saudosas lágrimas, especialmente em duas cenas: quando são ajudados por peregrinos após uma chacota (isso sim, são coisas que inexplicavelmente acontecem por lá. Quem já fez, repito as palavras, sabe do que estou falando.) e quando aparecem cenas dos peregrinos chegando, finalmente, a Santiago e a emoção que isso representa. Como me deu vontade de voltar! E rolaram lágrimas de novo...

Os símbolos do Caminho presentes o tempo todo: as setas amarelas, as vieiras, o cajado...

Um diálogo em especial me chamou a atenção, quando o produtor do programa fala que fazer ou não o Caminho não teria importância, que o importante seria que todos acreditassem. Impossível não ligar uma coisa à outra. Que outra coisa é essa? Bem para não criar polêmicas, deixa pra lá... Mais uma vez repito: alguns saberão do que estou falando, principalmente quem já fez o Caminho Sem mais palavras...

Voltando ao filme, se você espera chegar ao cinema e ver um retrato fidelíssimo do que é o Caminho de Santiago pode sair de lá um tanto decepcionado. Mas a função da história não é essa. Pinceladas do tema na medida certa, com boa dose de humor.
Enfim, cheguei esperando apenas rever paisagens e passagens e saí surpresa com o roteiro e com o texto, leve como comédias leves devem ser. Sem maiores comprometimentos.
Valeu a pena. Pelas risadas. E pelas lágrimas.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Meu Caminho de Santiago de Compostela - parte 1

Era um novembro, dia de eleições, quando encontrei na seção eleitoral uma velha amiga de quem estava meio afastada e, confesso, por mea culpa.
Lá pelas tantas de conversa ela me pergunta se não gostaria de fazer o Caminho. Não precisou mais nada: cheguei me casa, fui para a internet e passei a noite toda lendo, vendo, me informando sobre esta viagem da qual eu sempre ouvi falar e sempre ficava lá no fundo dos pensamentos a pergunta "será que eu conseguiria?", mas sem nunca ter de fato pensado em arrumar a mochila e partir.
Praticamente 800 kms a pé, enfrentando sol e chuva, frio e calor, e enfrentando a si mesmo durante a caminhada solitária, o que talvez fosse o mais difícil.
Bem, a chance de colocar à prova estava bem diante do meu nariz! O plano era ir em maio, o que me daria 5 meses pela frente para eu me familiarizar e me preparar. Nesta fase de preparação veio o que poderia ser o fim de uma viagem que nem havia começado: fortes dores no joelho (que eu já havia operado) devido às caminhadas que eu fazia para ganhar resistência. Meu ortopedista foi categórico: não vai. Mas... como não ir? De alguma maneira eu já estava lá! Minha cabeça estava lá, meu coração estava lá... Com medo das consequências físicas (que depois da viagem se mostraram sem fundamento, mas já era tarde) optei, desta vez com dor no coração,  por fazer apenas parte dele, o que resultou em praticamente 380 kms e duas semanas de caminhadas diárias.

Preparar a mochila foi outro exercício: somente o essencial, nenhum supérfluo. A vaidade teve que ficar em casa. Entre roupas, calçado, meias, toalhas, produtos de higiene e outros, a minha pesou 7 kgs - contando com o peso da própria mochila.
Um ítem que causa controvérsias entre peregrinos é o calçado apropriado. Bota ou tênis? Eu optei por uma bota, Salomon, a qual tenho até hoje em perfeito estado e que já me acompanhou em muitas outras viagens por aí. Acho melhor que o tênis, pois protege o tornozelo em caso de torção devido às muitas pedras no caminho, por ser impermeável (também tem chuva!) e por aguentar melhor o tranco nas muitas subidas e descidas por terrenos acidentados.

Assim, com a mochila pronta e bota amaciada (importante!), em maio, como planejado, eu partia para minha primeira viagem à Europa, sozinha. Iria encontrar minha amiga em um ponto do Caminho e de lá ela continuaria e eu começaria essa inesquecível e emocionante viagem.
Cheguei em Madri, peguei um trem, e 4 horas depois desembarcava em uma cidade sem sequer saber para que lado ir. Precisava chegar ao albergue que ficava em um convento e não fazia idéia onde era. Fui andando meio sem rumo quando encontrei um casal de peregrinos franceses (é fácil identificar...). Parei e perguntei. Eles, amigavelmente, me levaram até a porta! Deixei minha mochila e saí para conhecer a Catedral, que tem os vitrais mais belos de todas as igrejas da Europa. Ainda nem sinal da minha amiga, mas eis que quando entro em uma rua, com quem dou de cara? Pois é...

À noite, após um banho gelado e uma benção especial das irmãs beneditinas aos peregrinos (o Caminho tem isso: o sagrado e o profano andam lado a lado), desmaiei na cama até o dia seguinte ansiosa pelo primeiro dia de caminhada. Café da manhã no albergue, mochila nas costas, pés protegidos e lá vamos nós, em um dia ensolarado e quente, por aproximadamente 20 kms até a próxima parada, onde dormiríamos.

Tínhamos combinado um roteiro pré-determinado e sabíamos de antemão onde passaríamos a noite, assim começávamos o dia caminhando juntas mas invariavelmente acabávamos nos separando, pois cada um tem seu ritmo e tentar acompanhar o outro é cansativo, seja andando mais rápido ou mais devagar. Assim é na vida também. Primeiro aprendizado.

Vou dividir esta experiência em alguns posts para não virar um livro... Mas de acordo com minha disponibilidade de tempo, portanto, até o próximo qualquer dia destes!


A vieira, um dos símbolos do Caminho. A minha, que esteve pendurada na minha mochila durante todo o trajeto, está em lugar de destaque na minha casa.



As famosas 'setas amarelas', outro símbolo, que estão nos locais mais inusitados e nos indicam o caminho a seguir em caso de dúvida. Às vezes são difíceis de achar...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eclipse total da Lua - 15/06/2011

Então que o tão falado eclipse já aconteceu. Foi. Já era.
Indiferente aos comentários dos astrônomos e previsões dos astrólogos, a sombra chegou, passou, e foi-se.
Como tudo, como todos.

Quem viu, viu. Quem não viu, não viu.
E a vida continua.

                                        Só para registrar...
 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quando vier para Curitiba - Eloi Zanetti

Recebi por e-mail um vídeo sobre Curitiba, muito bem produzido, para vender o turismo por aqui. Vi lindas imagens, um lindo texto, prometendo uma Curitiba também linda. E sem problemas...


Concordo. Linda ela realmente é. Oferece muitos lugares que valem um pouco mais de tempo e atenção, como os parques mostrados. 
E o ônibus de dois andares que faz a Linha Turismo é o meu mais recém orgulho de curitibana... 
O centro está (devagar, mas está) ficando mais bonito.
E nunca houve tamanha variedade de opções em bares e restaurantes. 


Mas, como viajante, me sinto na obrigação de fazer algumas observações para você que planeja sua vinda para cá.

Não venha esperando só o lado bonito...

O trânsito de Curitiba nunca esteve tão caótico. Se for alugar um carro, é bom ir treinando a paciência.
Mas, para que alugar um carro, se o transporte coletivo de Curitiba é esta maravilha? Bem... A coisa não é bem assim, esse mar de rosas. O sistema todo é bom, mas está pra lá de saturado. Se for esta sua opção, dependendo do horário, o bicho pega. É muita gente em tão pouco espaço. É bom evitar horários de pico,  
que atualmente vão entre aproximadamente 07:30/09:30 e 17:00/19:30. Sem falar que os terminais nos bairros são antigos, até os recém reformados. Só aumentaram de tamanho.
Curitiba já deveria ter metrô circulando a muitos anos. Muito já se falou a respeito, muitas foram as promessas em campanhas eleitorais, e nada.

O centro de Curitiba é lindo. Eu adoro.
A arquitetura antiga. Os calçadões. A Boca Maldita, na menor avenida do mundo: a avenida Luis Chavier. As feiras sazonais na Praça Osório, à noite... A Rua Quinze nas manhãs de sábado.
Mas...
Ainda existem em meio a esta arquitetura muitos prédios bem caidinhos... Feios mesmo. Exemplo mor é um sobrado muito bonito que existe atrás da Catedral Metropolitana que está, literalmente, caindo e abandonado. Algo tem que ser feito urgente naquele imóvel para salvá-lo e algo precisa ser feito urgente  naquele quarteirão, que virou uma cracolândia. Cuidado à noite...
E como é feio o centro com a fiação aparente. Aquele emaranhado de fios e cabos não combina com a Curitiba que você espera conhecer.

E só mais uma coisa: cuidado sempre com seus pertences. Dentro dos ônibus o 'pessoal' costuma agir rápido...
E evite dirigir de janelas abertas para evitar assaltos nos semáforos. Minha cidade anda violenta demais. Muito mesmo.

Mas como toda cidade tem seus problemas, até, pasmem, Curitiba, eu endosso tudo o que falam no vídeo.
Venha sim! Venha nos conhecer.
Mas venha com calma.
Ah, e não esqueça aquele tenis velho...

Confira o vídeo no link abaixo:


                                 
                       Vídeo - Quando vier para Curitiba - Eloi Zanetti

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Educação Ambiental e Cidadania

Quando bato na tecla da necessidade de educação ambiental, da consciência ambiental, é por alguma razão.

Neste último sábado quando eu levava meu cachorro para passear e pegar sol na Pça. Oswaldo Cruz, me deparei com uma cena que considerava parte do passado, mas infelizmente não é.
Havia recém acabado algum evento esportivo no ginásio da praça e uns 3 ônibus estavam estacionados ali ao lado e se preparavam para levar os adolescentes (todos estudantes de escolas públicas) embora, ainda com as portas abertas.
Ao lado de um deles, no chão (asfalto) exatamente na direção da porta de entrada, acumulavam-se várias cascas de banana, recém jogadas pelos jovens que estavam no ônibus. Uma montanha de cascas jogadas em via pública.
Como esta Cobra não consegue ficar calada nestes casos, indaguei a um senhor que estava por ali se ele seria o responsável por eles. Resposta afirmativa, falei do mau exemplo dos jovens, que havia uma lixeira ao lado do ônibus, das consequências do lixo nas ruas, etc,etc... A esta altura eu já falava diretamente aos estudantes, levada por ele.
Todos prestavam atenção, calados. Incluindo o tal 'responsável', que não sei se seria algum professor.

Fiquei pensando: se todos aqueles jovens agiram da mesma forma, sem que nenhum contestasse, e se aquele acompanhante mais velho também nada falou contra quando viu o acontecido, algo está faltando na educação destas pessoas.

É realmente recorrente a educação ambiental nas escolas públicas de Curitiba? Ou inexiste?
Pode não constar no currículo oficial, mas neste caso, não seria obrigação deste 'responsável' repreender tais atitudes?

Uma senhora que passava por ali me disse o seguinte "depois quando chove e alaga tudo, eles vem chorar".
Não deixo de dar razão a ela.

É... A Cobra continua cética, porquê não é cega.



domingo, 22 de maio de 2011

De centavo em centavo... Parte 2

Interesssantes textos sobre a tal prática dos centavos...

 "...toda a atividade fiscal em torno dos seus negócios tomará como base o seu faturamento. Isto é, para fins jurídicos, a atividade do Fisco tomará como parâmetro para o recolhimento de tributos aqueles valores expressos na nota fiscal que é emitida para o consumidor. Exemplificando: se um produto custa R$ 1,99, mas o consumidor no ato da aquisição pagou R$ 2,00, o valor que será faturado e declarado à Receita Federal, como arrecadado pela empresa, será o primeiro, ficando de fora o centavo restante que, no final de um ano, irá se transformar numa quantia muito interessante para a empresa, sobretudo em se tratando das grandes redes de varejo do país."
Fonte :
http://www.lfmaia.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=823&Itemid=43

E mais:
"o costume de colocar preços como R$ 1,99 é proposital. “Os comerciantes e vendedores colocam tais preços para os consumidores não exigirem o troco e, ao mesmo tempo, dar a percepção de que o produto é mais barato.”
Fonte:
http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/tendencias-debates/menos-um-centavo-de-troco-e-um-lucro-extra-no-final/


Mais ainda:
"o pesquisador Lee E. Hibbett, professor de marketing da Freed-Hardeman University do Tennessee, revelou que há uma grande tática de venda por trás deste “troquinho”.
É tudo uma questão de leitura. O professor explica que, como a ordem em que lemos segue da esquerda para a direita, o primeiro número chama mais atenção. É por isso que se você vê um produto pelo famoso preço R$3,99 e outro por R$ 4, vai preferir o primeiro. Segundo o pesquisador, isso é a nossa tentativa de diminuir os esforços em comparar preços, vemos o valor cheio, descartamos os decimais e pronto, levamos o produto."
Fonte:
http://hypescience.com/a-verdade-por-tras-do-r199/

Quem é ignorante? Certamente aquele que se deixa levar por este lero-lero dos comerciantes e não reclama seus centavos...

A propósito, este post é em resposta a um gentil e-mail que recebi de alguém, onde fui chamado de 'ignorante' por não saber que os preços são calculados por um 'sistema',  e a quem gostaria de esclarecer que minha intenção é tão somente alertar os consumidores a exigirem o troco que lhes é de direito, pois se
o sistema calcula que um produto custa R$7,99 o comerciante tem a obrigação (pelo menos moral) de devolver o troco correto.

Agora, vou me recolher à minha ignorância...

domingo, 15 de maio de 2011

Cusco , uma cidade inesquecível...

Já se passaram muitos anos desde minha primeira ida a Cusco, no Peru, ainda na época da faculdade. De lá pra cá  foram 3 visitas em um intervalo de aproximadamente 20 anos. Na última pude constatar como a cidade mudou, junto com o país. Está mais cuidada, os monumentos bem conservados, as opções de entretenimento noturno aumentaram, assim como as opções de hospedagem. Cusco cresceu. Se isto é bom? Por um lado sim, mas confesso que fiquei decepcionada ao constatar que hoje as chamadas 'cholas' não ficam mais na rua vendendo seus artesanatos. Ao sair à noite não as vemos mais sentadas embaixo dos arcos na Plaza de Armas. Determinação da prefeitura local. Eu, como turista, senti falta. Agora existem pequenas lojinhas que revendem os produtos tão característicos da região: as famosas blusas de lã (chompas), cachecóis, luvas, bonequinhos, enfeites, tapetes...  Pode estar mais organizado, mas antes era infinitamente mais original.


                                                      

                                     Artesanato riquíssimo.

A mudança que não me agradou, e também a muitos visitantes que seguem de trem a Machu Picchu , é a obrigatoriedade de comprar tickets no vagão exclusivo para turistas. Além de ser muito mais caro do que antes, perde-se o contato com a população local. Isto para mim faz toda a diferença.
Felizmente tive a sorte de, nas duas primeiras viagens, viajar no trem junto com todos os demais. E ali ver desde galinhas vivas até carne assada de porco sendo vendida embrulhada em jornal, trem lotaaado, muitas mulheres com seus bebês amarrado às costas como é de costume entre os povos descendentes dos Incas. Uma muvuca geral. Uma interessante e colorida muvuca.
Como já conhecia as mundialmente famosas ruínas, optei nesta última visita por não ir até lá justamente porque não poderia mais desfrutar desta curiosa e pitoresca viagem entre os cidadãos locais.



                            Costume de carregar as crianças às costas.

E engana-se quem acha que não há mais o que fazer por lá. Que a cidade é apenas o ponto de partida até Machu Picchu.
Cusco é cercada de sítios arqueológicos super interessantes e em lugares lindos. E a cidade é muito bem servida de belíssimas igrejas, heranças da colonização espanhola. A arquitetura característica de suas construções, com balcões e arcos, também é uma atração à parte.
Eu sou uma eterna apaixonada pela cidade, digamos que foi paixão à primeira vista. Uma paixão que dura mais de duas décadas.
Uma pequena cidade que é o destino mais visitado na América Latina. Isso traduz-se em conhecer pessoas de todas as partes do mundo: alemães, ingleses, americanos, japoneses, austríacos, canadenses, franceses, espanhóis, além de todos nossos vizinhos de países sul americanos. Uma cidade onde, durante o dia, vai-se às inúmeras atrações turísticas e à noite, dependendo da sua energia e vontade de se divertir, em ótimos bares e restaurantes com música típica ou animadíssimos pubs embalados pelo melhor rock'n roll. Só fica dormindo quem quer... e quem vai querer?

Antiga capital do império Inca (o mais importante império pré-colombiano, cuja extensão abrangia terras peruanas, chilenas, argentinas, bolivianas, colombianas e equatorianas), foi devastada na tomada pelos povos europeus que chegaram com armas de fogo e armaduras, destruindo grande parte de suas construções para utilizar o material na construção de suas casas e igrejas.

Ainda hoje fala-se na cidade, entre os povos descendentes, a língua quéchua e seus inúmeros dialetos.
E entre as tradições mantidas está a adoração ao deus Sol (Inti). Existe um grande festival anual que acontece dia 24 de junho nas ruínas de Sacsahuamán, a 2 kms ao norte de Cusco. O festival de Inti Raymi. Durante todo o mês de junho podemos ver na cidade várias manisfestações folclóricas ao redor da praça central. É um evento que está no calendário turístico e atrai milhares de visitantes do mundo todo, os hotéis ficam lotados e tudo fica mais caro (como no carnaval no Rio de Janeiro...). A cidade se enche de cores.






Crianças no desfile escolar das comemorações de Inti Raymi.


Mas em qualquer outra época você pode conhecer as maravilhosas ruínas que espalham-se ao redor de Cusco ou a poucos quilômetros de distância.
Sacsahuamán é uma delas: antiga fortaleza inca, de proporções incríveis, de onde tem-se vista panorâmica da cidade. Atualmente restam apenas 20% do que foi, pois os europeus destruíram seus muros para reutilizar as pedras. Mesmo assim impressiona.


Sacsahuamán


                                               Sacsahuamán

O Vale Sagrado é outro lugar mágico. Entre montanhas majestosas (eu e as montanhas...) descem pequenos rios e lá embaixo, também majestoso, corre o rio Urubamba (urubamba = vale das borboletas). Uma paisagem linda. Na minha segunda viagem tive a coragem (graças ao meu amigo Marcelo) de fazer rafting neste rio. Inesquecível e emocionante.



Vale Sagrado


                                           Urubamba


Ali ao redor do vale estão Pisac - 33 kms de Cusco - e Chinchero, 28 kms.
Em Pisac está um dos mais impressionantes sítios arqueológicos incas, que eu só fui conhecer nesta útima viagem. Acesso a pé, por um caminho quase indiano, e a quase 4.000 mts de altitude. Andar por lá é exercício de paciência: com pressa não se chega a lugar nenhum pois o ar rarefeito simplesmente não deixa. Mesmo. A visão lá de cima é indescritível.
Na volta ao povoado de mesmo nome, aproveite para visitar a feira de artesanato. Quando fui a primeira vez ao povoado esta feira resumia-se à praça. Hoje em dia tranformou-se em um verdadeiro labirinto pelas ruas.



                                        Ruínas de Pisac


                                        Ruínas de Pisac
   

                                        Ruínas de Pisac



                       Caminho a quase 4.000 mts de altitude





                                           Mercado em Pisac
   


Chinchero é para mim sinônimo de paz, silêncio e contemplação. A 3.800 mts de altitude e rodeado por montanhas nevadas (você está praticamente na mesma altura dos picos nevados... Lindo demais.), andar por suas ruelas é uma viagem ao passado. Claro que é frio, muito frio.



                                       Torre da igreja em Chinchero



   Muito comum ver  nos telhados das casas ao redor de Cusco. Acredita-se que protegem dos males  espantam os maus espíritos.


Outro lugar que adoro, a 60 kms de Cusco, no meio do caminho para Machu Picchu, é Ollantaytambo. É onde está a única cidade da era inca ainda habitada. Suas fortalezas e terraços agrícolas são imensos e lindos. O povoado é lindo, com ruazinhas idem. E por questões particulares, um lugar inesquecível para esta que vos escreve...
Na última visita, surpreendida por encontrar a igrejinha local aberta (coisa rara por lá) entrei no que pensei ser uma missa comum e fiquei bem atrás. Ao olhar com mais atenção vi que era a única com roupas coloridas e provavelmente a única que não estava chorando. Olhei com mais atenção e então percebi que era uma missa... de corpo presente! Bem sem jeito, saí quase andando de costas para não chamar a atenção...
É de Ollantaytambo que partem os que seguem a pé para Machu Picchu pelo famoso Caminho Inca.



Ollantaytambo


                                          Ollantaytambo


Existem muitas outras ruínas que valem a visita, todas bem perto de Cusco.

Mas a cidade de Cusco se basta. Nada melhor que somente caminhar por suas ruas, descobrindo becos e curiosidades. Subir e descer suas ladeiras. Conversar com as pessoas. Conhecer histórias. Sentar em um dos bancos da praça e só observar.












Ou saborear um café, um té de coca ou uma cerveza em um dos balcões ao redor da praça e ter uma vista 'aérea'.







E não é que de repente, em uma tarde qualquer, um casamento na Catedral...


Conhecer suas belas igrejas. A Catedral e a igreja da Compañia de Jesus encontram-se na Plaza de Armas e a visita é obrigatória. Lá estão originais da Escola Cusqueña de Pintura, que mescla a pintura barroca com a andina. Valiosíssimas.
Também as não menos belas igrejas de Santa Catalina, La Merced, San Blas e San Francisco.
Não poderia deixar de indicar a visita ao 'complexo' de San Domingo. Construído sobre os muros do lugar mais importante de culto de todo o império Inca: Koricancha. Existe uma lenda, que como tal não é confirmada, que as paredes deste templo eram totalmente revestidas de ouro, pois era ali que realizavam os mais importantes cultos de adoração ao Sol.
Vítima de dois terremotos, a igreja teve que ser reconstruída, por duas vezes. As fundações incaicas não sofreram nenhum dano. Craques na arquitetura e engenharia!
Este é outro local que, quando da minha primeira visita, estava um tanto abandonado. Agora, reformado, parece outro lugar.
Possui uma interessante e valiosa pinacoteca. Se possível vá em visita guiada para entender melhor o lugar e o significado do que vai encontrar por lá.



                                    Compañia de Jesus


                                    Koricancha (San Domingo)

               Koricancha. Note a diferença entre a construção inca e a espanhola.


                                           San Francisco


                                            Arco Santa Clara


Outra atração na cidade é o Mercado Municipal de Cusco. Um show de cores, sabores e... aromas, estes nem sempre agradáveis pois tudo fica exposto nas bancas, desde frutas até carnes. Mas ali há uma infinidade de artigos, bem baratos. Lugar ideal para comprar aquelas lembrancinhas de viagem.

Hospedagem em Cusco geramente não é problema, a cidade tem desde hostels baratíssimos (ok, não me responsabilizo pela limpeza e segurança destes lugares) até hotéis 5 estrelas. Muitos hotéis e pousadas.
Comida boa e barata também.

A cidade está a quase 1.200 kms de Lima e a melhor maneira e chegar é de avião, em um voo de aproximadamente 2 horas de duração. Pode-se ir também de trem ou ônibus desde a fronteira com a Bolívia nas proximidades do Lago Titicaca. Este trecho apesar de cansativo, reserva paisagens maravilhosas.



                                          Linda paisagem na chegada.

No mais, aquela dica que vale para qualquer viajante em qualquer lugar do mundo: cuidado com seu dinheiro, passaporte, câmera fotográfica. Principalmente em locais com aglomeração de pessoas.

Se interessou, busque as boas ofertas que as cias. aéreas fazem, arrume a bagagem e boa viagem!
Será uma viagem riquíssima em cultura e com boa dose de aventura!
Desfrute Cusco com calma, veja seus detalhes, sinta seus aromas, saboreie sua comida, conheça seus segredos... Com certeza você vai querer voltar um dia, assim como eu.



Fotos: Cobra Urbana
Mapa: allaboutperu

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De centavo em centavo a Nissei vai bem obrigado...

Uma das estratégias comerciais que mais deixam esta cobra indignada é a prática do preço
"R$algumacoisa,99".
Primeiro, porque é mais ultrapassada do que rastejar pra frente.
Segundo, porque é propaganda enganosa.
Terceiro, e principalmente, porque os estabelecimentos nunca tem R$0,01 para devolver de troco.
Infelizmente não existe uma lei específica que os obrigue a isso, restando a nós consumidores o dever de não aceitar.
Em Curitiba existe uma grande rede de farmácias que é campeã nisso. Como existe uma loja perto da minha casa, muitas vezes comprei ali e passei por este problema na hora de pagar, ou melhor, na hora de receber o troco. Comecei a pedir e argumentar que a falta de moedas não era uma questão para eu resolver, e que se o caixa não tinha trocados então que arredondasse o preço para menos. Algumas vezes consegui que me dessem R$0,05 ao invés de R$0,01.
Mas tudo cansa e considero que ficar passando por isso em cada compra é, além de desgastante, falta de respeito ao consumidor. Eles é que deveriam se desculpar e tomar a iniciativa. Ou arranjar moedas. Ou arredondar o preço (o que seria mais honesto).
A esta altura você pode estar pensando que é muito carnaval por tão pouco.
E respondo: a questão principal nem é o valor mas, arrisco dizer, a má fé.
Se algo custa R$10,99 é R$10,99, e não R$11,00.
O consumidor não é mais tão burrinho assim, para se deixar enganar por este marketing barato.
Por causa destas situações deixei de comprar lá. Hoje, ao voltar para casa lembrei que precisava comprar leite. Como não havia um supermercado no caminho acabei entrando na tal farmácia. Peguei a caixinha e estava indo pagar quando me dei conta do preço: R$1,99. Como sabia por várias experiências próprias o que iria acontecer, devolvi o produto na prateleira e acabei comprando em uma mercearia, por R$2,10.
Paguei R$0,11 a mais. Mas paguei o que estava marcado no produto, nem um centavo a mais, literalmente.
Paguei pela 'honestidade' do comerciante.
E a respeito do valor ser baixo, você já teve a curiosidade de calcular quantas pessoas por dia, por mês, por ano, deixam seus centavos nestes estabelecimentos que nunca tem troco? E o montante disso?
Eu cansei e evito todos os locais onde sei que o me espera no caixa...
E você?

P.S.  a cobra hoje está uma jararaca.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Antropoceno. A nova época geológica.

Já tem até nome e eu não sabia.
É a constatação do que eu sempre digo, nosso planeta entrou em um processo rápido de profundas e irreversíveis transformações.

Ótima matéria:

National Geographic

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Curitiba, cadê você? Hein?

Voltando a falar do problema do lixo em Curitiba...
"O quê? Curitiba, a capital ecológica? A cidade onde o lixo é reciclado, etc, etc, etc ?", pode estar pensando aquele que não conhece ou não mora aqui.
Sim, caro leitor, cara leitora!
Há algo de podre do reino da Dinamarca...
Lixo=podre, entendeu, né?
Curitiba=Dinamarca(quem me dera...), entendeu, né? [2]

A dias - muitos dias- venho observando que o lixo reciclável que é deixado diariamente na rua não está sendo levado pelos catadores. E, observando melhor, notei que não há nem sinal deles, nenhum carrinho, nenhum cachorro...
O que era comum, o que era cotidiano, sumiu.
Desde que mudou o horário da coleta do lixo comum (que antes era feita por volta de 23:00/23:30)  para 19:0/19:30 o que se vê é o caminhão levando papelão, plásticos, vidros, e o que mais houver ali, junto com todos outros resíduos, direto para o 'lixão'.
O que aconteceu? Para onde foram os catadores?



                                            Foto alex trinks


Apesar de tudo (*) eles são parte importante no processo de reciclagem. Mas se  não se antecipam ao caminhão comum, todos saem perdendo. Eles e nós. E o planeta também.

(*) tenhos minhas revoltas particulares com o 'método'  que boa parte dos catadores usa para separar: o que interessa vai pra dentro do carrinho, o que não interessa vai pro chão mesmo. Ou: levo o saco mais promissor e depois jogo o que não interessa em qualquer lugar, no rio por que não? E também sou contra a exploração de animais e maus tratos, práticas comuns.

Sobre essa questão, acredito que falta aducação ambiental básica para toda a população da cidade.
O catador e sua familia precisam ter noção do trabalho que fazem e suas consequências, e não apenas 'catar' porque dá um troco.
E as familias 'produtoras de lixo' precisam ser reeducadas para separá-lo de maneira correta.
Que tal a prefeitura investir mais em campanhas educacionais e de qualidade?
E os condomínios, poderiam ter algum benefício em troca da coleta seletiva e correta de lixo. Porque onde moro, a síndica é mais preocupada com a antena da tv do que com o meio-mabiente. E o resultado é ver meu lixo, cuidadosamente separado, sendo levado pelo caminhão de lixo comum.
Às vezes cansa...

Canso também de ver lâmpadas fluorescentes jogadas na rua, encostadas em árvores e postes. Isso indica que as pessoas tem noção de que não se trata de lixo comum. Mas fazer o que em caso de descarte? Jogar aonde?  É pura falta de informação.
Talvez até proposital, pois as solicitações de coleta especial feitas através do famoso 156 demoram dias, semanas, meses para serem atendidas. Falta infraestrutura também?

Como sei que não será feita nenhuma campanha, que tal uma redefinição de horários das coletas?
Não há mais espaço para tanto lixo.






O sistema que a prefeitura quer implantar (SIPAR) para reciclagem prevê separação de no mínimo 85% de todo o lixo que for para os aterros. Maravilha. Mas a implantação está emperrada a anos na nossa veloz justiça. Algum problema na licitação. Só espero que esta ação seja de fato por suspeitas e não motivada por motivos politiqueiros/eleitoreiros.

Enquanto isso, no reino da Dinamarca a limpeza nas vias públicas vai muito bem obrigado. Uma maquiagem faz milagres.
entendeu, né? [3]






De que adianta colocar lixeirinhas politicamente corretas nas ruas e parques, se a maioria da população não sabe distinguir qual cor é pra que tipo de material?
E se o catador, ao escolher o que vai lhe render algum, deixa todo o resto espalhado pela calçada (conforme li e vi foto em um jornal de grande circulação na cidade, dias atrás).
Educação ambiental para todos já!





Como uma coisa puxa outra nesse mundo internético, acabei localizando um texto que acabou servindo de inspiração para o título.
Curitiba, cadê você? Cadê você...

Vale a leitura. Se for daqui, vai se identificar; se não, vai ficar sabendo. O que nunca é demais.

Após um ano de Ducci, Curitiba vê problemas se agravarem

11 abril, 2011Ivan Santos
08:17
"O prefeito Luciano Ducci (PSB) completou, no último dia 30, um ano no cargo, sem festa ou alarde. A ausência de comemoração pode ser explicada pela lista de problemas acumulados pela administração municipal no período, que enfrenta críticas crescentes pela falta de solução para carências em áreas essenciais, como transporte público, trânsito, segurança, além de pendências crônicas em setores como o lixo, falta de vagas em creches, enchentes e inundações em bairros da Capital. No plano político, Ducci tenta superar a falta de carisma e conhecimento do eleitorado para se firmar como candidato do grupo do governador Beto Richa (PSDB), enfrentando a concorrência do ex-deputado Gustavo Fruet (PSDB), liderança ascendente no Estado.
No transporte coletivo – área em que Curitiba sempre foi apontada como referência no País – cresce o descontentamento dos usuários com a perda de qualidade do sistema, e as reclamações com a constante superlotação, atrasos e os cada vez mais frequentes acidentes envolvendos ônibus. Queixas agravadas pelo aumento de 13,6% aplicado na tarifa em fevereiro último, contra uma inflação acumulada de 10,9% da inflação desde janeiro de 2009, data do reajuste anterior.
O trânsito da Capital nunca esteve tão congestionado, e as obras que prometiam desafogar pontos críticos, como a da Linha Verde, seguem questionadas e apontadas pelos usuários como verdadeiras “armadilhas” por conta do caos nos horários de pico provocados pela falta de viadutos e trincheiras. Para piorar, o sistema de fiscalização eletrônica foi colocado em xeque após denúncias de manipulação de licitações, pagamento de propina e “sumiço” de multas envolvendo políticos e poderosos que atingiram a Consilux, empresa que mantém contratos para a operação de radares e lombadas eletrônicas em Curitiba desde 1998. O escândalo levou Ducci a anunciar o rompimento do contrato e a estatização do sistema, mas até agora a prefeitura não sabe como isso vai se dar na prática, nem conseguiu afastar o risco de pagamento de uma indenização milionária que sairia do bolso do contribuinte por conta da medida."

                                fonte:  http://www.bemparana.com.br/
                                         

terça-feira, 12 de abril de 2011

A Avianca fazendo a lição de casa!

Em outro post falei dos furos de outra cia. aérea no e-mail enviado por eles no dia do aniversário da minha cidade.
Pois a  Avianca também embarcou no desconto-parabéns mas ali a coisa é de verdade. Tarifas bem explicadas  no site e, mais que tudo: elas existem!
Simulei uma compra e lá estava, disponível, a tal tarifa TNIVER.

http://www.avianca.com.br/empresa/site/comemorevoando.asp

Muito bem. Coincidência ou não, li uns 4 comentários de amigos rasgando elogios à esta cia.
O que é bom também precisa ser falado.
Bienvenida, Avianca.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dois erros da TAM...

Ontem dia 29, duas capitais brasileiras comemoraram seus aniversários: Curitiba e Salvador. Como curitibana que sou, recebi um e-mail da TAM com uma bela foto de nosso Jardim Botânico, informando tarifas especiais de comemoração e desejando felicidades a todos os 'soteropolitanos' (primeiro erro)...

Curiosa, entrei no site para ver os tais descontos e verifiquei que as tarifas continuavam exatamente iguais (segundo erro), não havendo nenhuma alteração de preço por conta do aniversário da cidade...

Para que informar a existência de tais tarifas se elas não existem? Ou, se existem, devem se aplicar à datas e horários absurdos.
Não seria mais interessante e simpático desenvolver uma ação que, de verdade, nos brindasse com descontos em passagens compradas somente ontem, com destinos DE/PARA Curitiba, ou DE/PARA Salvador? E agir assim nos aniversários de todas as capitais brasileiras?
Aposto que o comandante Rolim gostaria da idéia, homem inovador que foi.

Alô outras cias. aéreas... Fica a dica prá vocês também!

domingo, 27 de março de 2011

Simplicidade Voluntária : descomplicando a vida




Já faz algum tempo que conheci os conceitos da simplicidade voluntária (SV) e pensei "encontrei minha turma!".
Para os que nunca ouviram falar sobre o assunto resolvi escrever este post para que não haja pré-conceitos a respeito do assunto.
Para começar a SV difere da simplicidade imposta por fatores externos. Uma coisa é adotar um estilo de vida mais simples consciente dos benefícios que estamos fazendo a nós mesmos, aos outros e ao planeta. Outra coisa é levar uma vida simples por necessidade, mas sonhar com os 'confortos' e 'facilidades' que o consumismo desenfreado proporciona.
Basicamente o que a SV ensina é saber viver, e bem, sem sucumbir aos apelos da indústria, consumir menos, se alimentar melhor, cuidar do corpo e da mente sem gastar fortunas para isso,  respeitar verdadeiramente a natureza, que nos proporciona tudo que necessitamos (água, calor, alimento - físico e espiritual - , luz, escuridão (sim, também precisamos da escuridão).

As consequências de optar por uma vida simples são menos stress, menos doenças do corpo e da alma, felicidade interna, e porque não, menos dívidas também...

Mas o que é? Como funciona?
Para começar devemos assumir uma atitude mais crítica ante os apelos da sociedade para comprarmos e consumirmos cada vez mais. Vemos hoje um festival de lançamentos na telefonia, na informática, na indústria automobilística, na moda (só para citar alguns) fazendo-nos acreditar que produtos lançados a menos de um ano tornaram-se obsoletos.
Antes de sucumbir a estes apelos, refletir se realmente aquilo é necessário. Não poderemos viver sem eles ou podemos continuar nossa jornada por aqui sem estar compactuando com esta indústria do descartável?
E ensinar as crianças, consumidores de amanhã (amanhã? que nada... já são, e muito, influenciadas pelo marketing) estes princípios do antidesperdício e da preservação ambiental.
Precisamos de verdade trocar de carro a cada um ou dois anos? E este carro é para atender às necessidades de transporte ou para atender ao ego de seus proprietários?
Que tal deixar o carro mais um pouco e usar este dinheiro para fazer uma viagem significativa?
E que tal deixar o carro na garagem? Ou vendê-lo?

E agir desta maneira com tudo: eletrodomésticos, roupas, calçados, recursos naturais.
E brinquedos para as crianças. É impressionante a quantidade de crianças que nem sabem quantos e quais brinquedos tem... E mais impressionante ainda é a quantidade de crianças que nunca tiveram um. Vamos repartir?

A filosofia do 'menos é mais' cabe aqui perfeitamente.
Li que aquele que não vê sua riqueza interior exibe riquezas externas como forma de se sentir melhor perante outros. Meio radical, mas tem seu lado verdade...

Trocar o 'ter' pelo 'ser', praticar a interiorização, redefinir a vida.
Ter sim, mais qualidade de vida, menos estress e preocupações.
Há duas maneiras de ter aquilo que é suficiente para nós: uma é acumular cada vez mais, a outra é desejar menos.
Aqui você faz a escolha.

Alguns exemplos para começar a praticar a SV:
* Uma residência do tamanho ideal à quantidade de pessoas que lá habitam, com materiais que não agridam  a natureza. Madeiras nobres, mármores em extinção, acabamentos caríssimos, dezenas de lâmpadas em um mesmo ambiente... precisa? Certamente não.
* Um carro para cada membro da familia... precisa? Provavelmente não. (isto é quase uma guerra pessoal, pois vejo o trânsito cada vez pior, com motoristas cada vez mais estressados, ar cada vez mais poluído e mesmo assim a venda de carros cresce assustadoramente a cada dia). E antes que alguém pergunte: não, eu não uso mais carro no dia-a-dia.
* Trocar o celular a cada função nova que os fabricantes oferecem também soa desnecessário.  E antes que me perguntem de novo, meu celular, o primeiro que tive, tem apenas dois anos (sim, eu resisti o quanto pude) e está em estado deplorável... E pra falar a verdade, quase nunca é usado.
* Alimentar-se preferencialmente de produtos vindos da região, o que reduz custos e desperdício em função do transporte. Se tiver espaço, plante. Frutas, verduras, legumes. Além de muito mais saudáveis são uma rica fonte de energia vital. Aqui abro um parêntese para falar sobre ela, a carne. Confesso que como carne porque gosto de um churrasco... Mas não como todos os dias, passo semanas sem comer, sem problema. E isso porque ando já a algum tempo namorando com a idéia de abolir de vez a dita cuja do cardápio. Não por questões de saúde, nem de gosto, mas por questões espirituais. Será que consigo?
* Exercitar-se não requer gastar fortunas com academias caríssimas. Caminhar, correr e, se morar no litoral, nadar, são práticas que podem ser realizadas em qualquer rua, parque, praça ou praia. E aproveitando para observar as árvores, ouvir os passarinhos... Cuidar do corpo e do espírito ao mesmo tempo.
* Roupas, sapatos e acessórios. Outro item que dá o que falar...rs.  O que a SV prega é ter somente aquilo que realmente vamos usar, sem exagero nem desperdício. Preferir comprar poucas peças de qualidade, que duram mais,  a várias descartáveis. Ter o necessário, abrir mão do supérfluo.
Abraçando a SV, reduzimos o lixo, a poluição, o despedício, as preocupações, as doenças, o estress, a ansiedade. Não basta? Então o tiro de misericordia: diminuímos as preocupações com dinheiro. Sim, porque comprando e consumindo menos há de sobrar algum para você fazer algo que gosta (viajar, doar, ir a uma peça ou show...).

Em outro blog li dias atrás um comentário de uma mulher que dizia estar plenamente feliz, vivendo com seu marido francês (os europeus são mais simpáticos a estas idéias que nós ou os norte-americanos, embora estes estejam beeem devagarinho mudando seus conceitos) em uma casinha no campo, com seus cabelos brancos assumidos, sem usar maquiagem e vivendo uma vida verdadeiramente sem complicações. E que feliz assim comtempla belos pores-do-sol tomando um bom vinho e de bem com a vida.
Isto exemplifica na prática uma frase de Frei Betto:

"Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor.
 Cultiva neles os desejos do espírito.
 Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o    
 habita"

É isso...

domingo, 20 de março de 2011

Rumo à Patagônia Sul, realizar um sonho... y unas cositas más.

(Todas as fotos postadas são minhas)

A muuuitos anos atrás vi uma foto na então Revista Terra. Era uma matéria sobre trecking no glaciar Perito Moreno e a foto em questão mostrava somente o pé de um viajante com os grampões para caminhada no gelo atrelados à bota e cravados na superfície gelada do glaciar. Foi olhar e sonhar que um dia meus pés me levariam a viver aquilo.
Sonho sonhado, sonho realizado.

Em um 6 de setembro, véspera de feriados, baixa temporada (o que significa menos gente e preços mais acessíveis) e com mais de 20 dias de férias pela frente, saí sozinha de Curitiba para conhecer uma das mais lindas regiões do mundo: a Patagônia Sul. Roteiro detalhadamente traçado com ajuda de guias especializados e da internet. Dizem que uma viagem começa no exato momento em que decidimos viajar e é verdade. A minha começou quando iniciei as pesquisas, uns três meses antes do embarque.

Minha porta de entrada foi Ushuaia, em um voo desde Buenos Aires. Esta região sempre me atraiu, pelo frio, pelas montanhas - pertinho dali começa a Cordilheira dos Andes - e por estar bem próximo mesmo do 'fim do mundo'. Estava imensamente feliz. Desembarquei no aeroporto com 6°C, o que foi uma surpresa pois saí de Curitiba com temperatura menor que essa e eu sempre espero mais frio, ainda mais ali tão pertinho da Antártida.



1° foto, ainda do avião: montanhas nevadas e as águas do Canal de Beagle lá em baixo.



Ainda do avião, chegada em dia nublado.


Ushuaia disputa o título de cidade mais austral do mundo com a localidade de Pto. Williams, no Chile, sendo esta realmente mais ao sul. Mas a distância é tão pequena... São tão próximas uma da outra. Pra mim não faz a mímina diferença...
Em Ushuaia tinha três destinos traçados: navegar pelo Canal de Beagle, conhecer o Parque Nacional Terra do Fogo e caminhar nas montanhas nevadas com adaptadores nos pés (as antigas 'raquetes'). Aproveitando para esclarecer: o nome 'Tierra del Fuego' foi dado ainda pelos desbravadores europeus, pois avistavam de suas embarcações enormes fogueiras acesas pelos antigos povos indígenas para se aquecerem do frio intenso.

A navegação pelo canal é tranquila, o barco desliza suave e silenciosamente em águas calmas apesar do vento forte e constante. Mas nem sempre é possível sair para o passeio no horário marcado: dependendo das condições climáticas, muito oscilantes na região, corre-se o risco de cancelamento. Não foi o meu caso, felizmente.
Do barco avistam-se, além da magníficas montanhas, colônias de barulhentos e preguiçosos lobos marinhos em época de reprodução e várias aves, entre elas os cormoranes reais, bem parecidos com pinguins e também ótimos nadadores: podem mergulhar até 30 mts atrás de cardumes. Nas ilhas a convivência entre lobos e aves é exemplarmente pacífica.
No mesmo canal passamos pelo farol Les Eclaireurs (Os Escoteiros), que erroneamente é indicado como sendo o farol do fim do mundo. Este está na Isla de los Estados, um pouco mais ao sul.
Um belo dia, com belas imagens e belos sons.



Ushuaia protegida por suas montanhas.



Imponência logo ali.



Felizmente nesta época não havia os navios de cruzeiros.



                                    A cidade vista do canal.



                           A mãe natureza aqui desenhou à mão.



                                              Overdose de montanha.



            Parece que Ushuaia está deitada nas mãos das montanhas.



                                        Cenário perfeito!



                                                Happy family.



                                   Solzinho... preguiça...



Os cormoranes com seus incríveis olhos azuis. Os com topete estão solteiros(as). Curioso, não?



                                  Todos em paz por aqui.



                      O farol que não é o do fim do mundo.



                     Regresso com direito a um lindo fim de tarde.



Mais um cãopanheiro de viagem. Este me acompanhou em uma caminhada por toda a cidade até resolver deitar neste jardim. Fotografei, me despedi e nunca esqueci.



A ida ao Parque Nacional Terra do Fogo foi gelada, apesar do nome. A trilha estava literalmente congelada e a 1 1/2 hora de caminhada feita de tênis devido a problemas com a bota, quase congelou meus pés! E quase congelou a câmera também. E meus joelhos. Não pude ir devagar como queria devido a isso. Porém, mais uma vez a paisagem compensou o frio e o vento. A idéia era seguir até a fronteira com o Chile, mas sem as botas tive que voltar de um ponto alagado e com muita lama. Fazer o quê... Aproveitei para sentar à beira do Lago Roca e contemplar...



                                                     Visual da trilha.



                                   Férias para os meus pés!


Tudo muito bom, tudo muito bem, mas o que eu realmente esperava fazer um Ushuaia era caminhar na montanha. E lá fui eu, acompanhada de guia e um colega alemão. Já no caminho a paisagem mudava, e eu cada vez mais encantada com tudo. No começo, até acostumar com o acessório nos pés, a caminhada é mais lenta. Mas peguei o jeito rapidinho. Devo ter experiência de outras vidas... Caminhamos na neve fofa, com neve caindo, pulando galhos de árvores e apesar das 'raquetes' ajudarem, em alguns pontos afundávamos mesmo. Eu adorando tudo. Lá em cima o guia tirou da mochila uma garrafa com chocolate quente para nos aquecer. Delícia. Dia inesquecível. Alma feliz.



            Não dá vontade de viver aqui? A maioria dirá "não!"... menos eu.



                               Equipamento básico e lá vamos nós!


Bem que procurei, mas o Bambi não apareceu.



                 As folhas parecem cinzas, mas estão cobertas de neve.



                             Hora da descida. Passou tão rápido!


Ushuaia se despediu de mim, me presenteando com uma belíssima nevasca na última noite... Nem reclamei de ter que sair às 05:30 (horário em que vieram me buscar em uma Sprinter para começar a viagem até Punta Arenas, no Chile). Como ainda estava escuro não pude admirar parte do caminho, e acabei dormindo, cansada da caminhada no dia anterior. Após 08 horas de estrada, parada em Rio Grande para trocar a van por um ônibus. De lá, mais 3 1/2 horas até Punta Arenas.



Saindo da Argentina.



Neste último trecho um dos momentos mais esperados, alucinantes e inesquecíveis (outro??) da viagem: a travessia do Estreito de Magalhães... Eu cheia de planos, descer e tirar muitas fotos e tal. Que nada! O 'bicho tava pegando', vento muito forte e proibiram geral. Todo mundo dentro do ônibus, com um filme de ação passando com volume nas alturas e sem visibilidade nenhuma porque a embarcação que faz a travessia tem proteção metálica nas laterais, o que impede a visão. Que ótimo.
Desnecessário falar que o ônibus balançava de um lado a outro, e de cima para baixo, simultaneamente. Sentia o banco sumir debaixo de mim. Apesar do volume do filme (aí entendi o porquê) ouvia as ondas quebrando e vindo 'de chuá', água escorrendo pelas janelas ... Como disse um senhor, o cavalo estava chucro ! Foram apenas pouco mais de 20 min. de uma emocionante travessia, me senti uma criança na montanha russa!
Imediatamente após, paramos para o almoço (também entendi porque não pararam antes...), de onde fiz o filminho abaixo, somente depois de conseguir chegar em uma parede para me encostar e ficar mais firme. As fotos que tentei fazer ficaram totalmente estremecidas.



Aqui é onde o vento faz a curva e dá marcha ré.


Minha estada em Punta Arenas resumiu-se a duas noites, pois apesar de ser bonitinha (uma miniaturazinha de Santiago) só passei por ali para seguir viagem rumo a Torres del Paine. Na verdade nem precisaria passar por ali, mas queria conhecer a cidade, uma vontade antiga também.



Praça central de Punta Arenas. Organizada e limpa como Santiago (sem a poluição de lá).


No meu dia em Pta. Arenas fui caminhar por lá e o que impressionou foi a mudança climática: acordei com leve nevasca, saiu sol, choveu, nevou de novo, sol, chuva... Como venta muuuuuuuuito estas mudanças são comuns.
Em uma esquina tive que segurar em um poste para não ser carregada. E à noite escutei no noticiário que os ventos aquele dia chegaram a 90 km/h. Hã?


Dia seguinte e lá vou eu de novo, desta vez até Pto. Natales. Cidade pequenininha, tive dificuldade de conseguir onde ficar por ser fora de temporada. O tempo chuvoso, nublado e frio.



Esta era a 'vitrine' do lugar onde fiz minhas refeições em Pto.Natales. Durante o dia ele trabalhava, e à noite trocavam os objetos por um prato de comida, uma garrafa de vinho e velas.


De lá fui ao Parque Nacional Torres del Paine. Sabia de ante-mão que o lugar era lindo, mas... é MARAVILHOSO! Lindo, lindo, lindo. O único porém é que, ironia do destino, não consegui ver as famosas torres. Havia sol no parque, menos onde estavam as protagonistas do lugar. Alguém lá em cima estava rindo muito às minhas custas...
Mas a profusão de azuis de seus lagos até me fez esquecer. Colírio para a alma.
Existem trilhas por todo o parque, que podem levar até 7 dias, e que estavam fechadas por ainda ser inverno. Deve ser lindo também na primavera. Quem sabe um dia volto para conhecer melhor, mas não sozinha. É preciso dormir por lá e apesar do espírito aventureiro, acho que não encaro.



                 Já no começo, uma bela paisagem de boas vindas!







    Então... por ali onde estão aquelas nuvens estão as Torres. Acredite se quiser.



Imensidão azul



Para onde se olhe, só beleza.







E as nuvens lá, teimosas...



No caminho para o Lago Grey.



Beira do Lago Grey, com pedaços do glaciar de mesmo nome.



Lago Grey, com o glaciar ao fundo.






Já quase saindo do parque e nada das nuvens saírem também... Fica para a próxima.


Depois de tanta beleza e energia chega a hora de seguir viagem rumo ao principal motivo, aquele citado lá no início do post: o trecking no Perito Moreno.
A viagem entre Pto. Natales e El Calafate foi no mínimo curiosa: estávamos eu e um casal, sendo que este desceu meia hora depois, em uma fazenda onde moravam. Foram 5 1/2 horas com motorista particular, ele fechado na cabine e sendo proibido conversar (no Chile, proibido é proibido e não se discute). A paisagem novamente foi mudando. Montanhas no horizonte deram lugar à imensidão da estepe patagônica. A estrada não pavimentada, com muitas pedras (o famoso rípio), e deserta. Só cruzamos com um pastor conduzindo calmamente suas ovelhas.



Fiquei muito tempo olhando para elas no início deste trecho.



Aduana argentina, no meio do nada.



Por muitos kms a paisagem foi essa. Pesquisei mas não consegui descobrir de onde são estas águas cor de café  com leite, embora limpas.



As águas misteriosas, aqui e ali, em pequenas e grandes porções.



                                 A estrada na vastidão da patagônia.



Estamos perto.


El Calafate me surpreendeu. Para pior. Sendo destino de turismo em massa devido às inúmeras atrações na redondeza, a cidade cresceu demais e vi muitas construções de casas e prédios, pela cidade toda, até na beira do lago. Há que ter cuidado com este desenvolvimento desenfreado.Um verdadeiro canteiro de obras. Mas é bonitinha, apesar disso.



Rua central de Calafate.


Saí cedo rumo ao glaciar em um dia muito frio, com fina e escassa garoa, e sem café da manhã. Esqueci de mudar o relógio para o fuso argentino e justo quando me preparava para fazer uma pequena refeição sabendo que só comeríamos após a descida do gelo, chega o guia. Achei estranho virem me buscar 'tão cedo'. Na verdade, só fui me dar conta do horário às 5 da tarde... Eles estavam certos (claro!). Tinha passado o dia anterior com fuso chileno!

Já dentro do Parque Nacional Los Glaciares pegamos uma pequena embarcação na beira do lago Argentino para irmos até o ponto de onde saímos caminhando até o glaciar. Hora de colocar os grampões na bota (na hora a tal foto da revista me veio à cabeça... uau, lá estava eu!). Uma breve aula de como caminhar no gelo e repetidas advertências dos dois guias sobre andar sempre em fila indiana atrás de um deles, repetindo o caminho.
O perigo estava nas muitas fendas no gelo e era preciso saber onde pisar. Um deles ia mais à frente verificando onde era mais seguro e o outro acompanhava o pequeno grupo. Nunca até hoje estive em um lugar tão gelado, tão frio. O tempo continuava fechado, não havia sol para aquecer e o frio não deixava ficar parado. Era preciso se movimentar até nas paradas para fotos. Os guias já haviam avisado sobre isso: não parar. E para os que viessem a sentir mais os efeitos do frio, caminhar movimentando os braços. Caminhei com a câmera por dentro da parka e era uma verdadeira corrida contra o tempo tirar fotos, pois tinha que retirar as duas luvas (uma de malha e outra bem mais grossa e impermeável) pegar a máquina rápido e fotografar rápido, para não congelarem os dedos. Muito frio mesmo! Imagino o que passam os montanhistas que escalam altas montanhas como o Everest.
Se você um dia se aventurar por lá, esteja com roupas apropriadas: calça impermeável por cima de uma (no mínimo) que segure o calor do corpo e uma parka idem, idem. Além das botas também impermeáveis. E luvas. E gorro. Duas pessoas do grupo estavam agasalhadas, mas com roupas comuns e não aguentaram o tranco.

A caminhada em si é fantástica! Cravar os grampões no gelo a cada passo para não cair (gelo é liso, lembram?)
é emocionante. E os ruídos do glaciar se movimentando é indescritível. Sim, a geleira se move. Enquanto ouvimos tanto falar sobre o derretimento das geleiras mundo a fora, Perito Moreno avança incríveis 2 metros por dia. E este movimento faz com que enormes blocos de gelo se encontrem e se comprimam, fazendo com que, eventualmente, enormes pedaços despenquem da beirada do glaciar, caindo no lago. Enquanto estávamos lá em cima ouvimos o barulho de uma destas quedas. E só nos demos conta do tamanho dos pedaços quando, na hora de voltar, fomos informados que a travessia estava suspensa até que voltassem as condições de navegação no lago. E tivemos que esperar bastante. Ainda assim o barco voltou devagar, desviando destes 'pequenos' icebergs que estavam por toda a parte. Mais emoção!

Para quem gosta da cor azul, esse trecking é o paraíso. Parece que saímos da Terra e chegamos em um planeta azul. Azul total. Azul intenso.
O dia passou rápido, era um misto de emoções, queria ver tudo, aproveitar todos os instantes. Estava realizando um sonho de muitos anos. E tinha consciência disso.



Chegada ao Parque Nacional.



Paredões que variam de 60 a 80 metros de altura.




                                      
De dentro do barco, na ida.




Chegando. Os pontos desfocados são pingos de chuva na lente.



Talvez seja difícil visualizar, mas aqui a imensa massa de gelo parece repousar sobre as pedras. Note as gotas do degelo caindo. E que azul!



Grampões colocados (este é meu pé!). Lá vamos nós.



Logo no começo, uma foto do que ficou para trás.





E mais uma.



                               As fendas, profundas, cada vez mais... azuis!



Apesar do perigo, os tons de azul são impressionantes.



Vendo as fotos sou capaz de escutar os estalos...



Planeta azul.




De repente, um laguinho.






Por aqui não se caminha.



Na hora de ir embora a surpresa: não dá pro barco sair com o lago assim... Espera.



Agora vamos bem devagar.



É lindo. Um enorme cristal de gelo...



Vista da passarela que visitamos na volta.



A árvore estava cheia deles. Privilegiados.


Eu, que já estava realizada, recebi outro presente da mãe natureza em meu último dia em Calafate: outra bela nevasca. Fiquei na rua, andando para conhecer o centrinho da cidade, e a neve caindo. E minha alma cada vez mais feliz... Aproveitei a trilha sonora de uns hippies que estavam recém abrindo suas barracas de artesanato para gravar este vídeo. O cenário não é dos melhores, mas quis aproveitar a música e o astral:






Aproveitei para fotografar durante a neve.






Minha estada na patagônia sul estava acabando. No fim da tarde sairia o voo até Trelew (1.300 kms de distância), de onde seguiria de ônibus (1 hora de chão) para Pto. Madryn. Agora meu objetivo era ver as baleias e elefantes marinhos na Península Valdés e ir até Punta Tombo ver o que? Pinguins ! Muitos ! Como o voo atrasou e cheguei 22:30 em Trelew, tive que me virar e achar um lugar para ficar, já que isso não estava no roteiro. Coisas que podem acontecer em qualquer viagem. Até que a cidade se mostrou interessante, tive meio dia para dar uma geral por lá. Tem uma universidade e um conceituado museu paleontológico. Além de árvores lindas espalhadas pelas ruas. Não foi de todo mal.

Pto. Madryn é um pequeno balneário de águas límpidas e tranquilas. Bonito o lugar, com várias opções de hospedagem, mas como estava em plena temporada de reprodução dos bichinhos e a cidade é a base para quem quer ir visitar a península, só consegui um quarto na terceira opção da minha lista. Bem localizado, a meia quadra da praia. Se fosse verão...


Depois de tanta neve, mar e um pouco de calor.


Mais uma vez a sorte: na Península Valdés havia muitas baleias e tive o privilégio de fotografar e filmar uma mãe e seu bebê! São baleias franca. A avistagem segue rígidas normas e é feita em total silêncio. Os animais cercam o barco, que permanece parado, passam por baixo, saltam, esguicham, 'falam' entre si. Um espetáculo emocionante. Também na colônia de elefantes marinhos, várias mamães e seus bebês! E mais sorte ainda (para mim, não para os pequeninos): havia uma orca rondando a região... Apesar de saber que é a lei da sobrevivência, felizmente não presenciei nenhum ataque.






Mamãe baleia de barriga prá cima e seu filhote ao lado.



É um bebê... e já pesa umas 3 toneladas.



A clássica...



E outra.



Caleta Valdés, onde  logo veremos os elefantes marinhos.


Um macho, que é bem maior que a fêmea, e um pouco diferente também.


E uma fêmea. Aqui o silêncio é total também.


Várias mães com seus filhotes. Um berçário.Na verdade, um harém. O macho está lá. Cuidando de todos.



Esta acabou de parir não faz muito tempo, ainda suja. E o bebê, com cara de recém nascido, como em todas as espécies.



Hora do leite!


Estava empolgada para ir a Punta Tombo, um pouco mais distante : cerca de 180 kms ao sul. Lá está a maior reserva continental do mundo dos pinguins de Magalhães. São aproximadamente 500 mil deles, que vão para lá na época da reprodução. Em agosto chegam os machos para preparar os ninhos e depois do trabalho feito, começam uma cantoria (ou gritaria?) para anunciar à fêmea onde ele está. Inacreditavelmente formam-se os mesmos pares todos os anos e ela conhece o 'grito' do parceiro. Perfeição. Quando fui havia pouquíssimas fêmeas, mas os machos já estavam preparando o terreno. Se a quantidade já era grande, imaginei como deve ficar quando estão com a família completa, incluindo os filhotes. Superpopulação! Ficam por lá até março/abril e depois migram. E em agosto começa tudo novamente...

No local a preferência em tudo é deles. Não espere interação e nem haja como se estivesse em um zoológico. Lá a casa é deles e não nossa. Não se deve jamais ficar na frente de algum que por ventura venha em sua direção, ele não está vindo brincar com você e vai perder o rumo, de verdade. E nunca tentar afagá-los, nem sequer tocá-los. Além de ser errado, eles podem reagir mal. Respeitar a natureza deles acima de qualquer coisa (como deveria ser com todas as espécies, em qualquer lugar, em qualquer ocasião).
São bem engraçadinhos, com seus 50 cms de altura e andar desajeitado. E como gritam! Vários gritando ao mesmo tempo!
A circulação para nós, humanos, é restrita a algumas áreas. Apenas pesquisadores tem autorização para circular. É um local que sem dúvida faz qualquer um se sentir privilegiado por conhecer.









Buracos na terra são ninhos.



Esta foto já esteve na capa do site deles:  @oviajantecom








A minha respiração, quase um suspiro, não deu pra controlar...rs.





O vento estava forte por lá também... dá para escutar.




                             
Sem a menor cerimônia.
(e tem gente que teima em falar alto.)



É por aqui que eles chegam.



Sempre me pergunto: o que estará passando nesta cabeça?







Quero que você me aqueça neste inverno...







Punta Tombo está a 1.300kms de El Calafate e também 1.300 kms de Buenos Aires.


Tudo visto e bem vivido, hora de partir. A chegada em Buenos Aires foi tumultuada, tema para outro post.

Para finalizar, uma foto do que estava na parede do hostal lá na primeira parada: Ushuaia.
E uma frase que li e traduz bem tudo que fiz: "À noite o corpo está em frangalhos, mas a alma bate palmas!"
É isso aí!