quarta-feira, 30 de março de 2011

Dois erros da TAM...

Ontem dia 29, duas capitais brasileiras comemoraram seus aniversários: Curitiba e Salvador. Como curitibana que sou, recebi um e-mail da TAM com uma bela foto de nosso Jardim Botânico, informando tarifas especiais de comemoração e desejando felicidades a todos os 'soteropolitanos' (primeiro erro)...

Curiosa, entrei no site para ver os tais descontos e verifiquei que as tarifas continuavam exatamente iguais (segundo erro), não havendo nenhuma alteração de preço por conta do aniversário da cidade...

Para que informar a existência de tais tarifas se elas não existem? Ou, se existem, devem se aplicar à datas e horários absurdos.
Não seria mais interessante e simpático desenvolver uma ação que, de verdade, nos brindasse com descontos em passagens compradas somente ontem, com destinos DE/PARA Curitiba, ou DE/PARA Salvador? E agir assim nos aniversários de todas as capitais brasileiras?
Aposto que o comandante Rolim gostaria da idéia, homem inovador que foi.

Alô outras cias. aéreas... Fica a dica prá vocês também!

domingo, 27 de março de 2011

Simplicidade Voluntária : descomplicando a vida




Já faz algum tempo que conheci os conceitos da simplicidade voluntária (SV) e pensei "encontrei minha turma!".
Para os que nunca ouviram falar sobre o assunto resolvi escrever este post para que não haja pré-conceitos a respeito do assunto.
Para começar a SV difere da simplicidade imposta por fatores externos. Uma coisa é adotar um estilo de vida mais simples consciente dos benefícios que estamos fazendo a nós mesmos, aos outros e ao planeta. Outra coisa é levar uma vida simples por necessidade, mas sonhar com os 'confortos' e 'facilidades' que o consumismo desenfreado proporciona.
Basicamente o que a SV ensina é saber viver, e bem, sem sucumbir aos apelos da indústria, consumir menos, se alimentar melhor, cuidar do corpo e da mente sem gastar fortunas para isso,  respeitar verdadeiramente a natureza, que nos proporciona tudo que necessitamos (água, calor, alimento - físico e espiritual - , luz, escuridão (sim, também precisamos da escuridão).

As consequências de optar por uma vida simples são menos stress, menos doenças do corpo e da alma, felicidade interna, e porque não, menos dívidas também...

Mas o que é? Como funciona?
Para começar devemos assumir uma atitude mais crítica ante os apelos da sociedade para comprarmos e consumirmos cada vez mais. Vemos hoje um festival de lançamentos na telefonia, na informática, na indústria automobilística, na moda (só para citar alguns) fazendo-nos acreditar que produtos lançados a menos de um ano tornaram-se obsoletos.
Antes de sucumbir a estes apelos, refletir se realmente aquilo é necessário. Não poderemos viver sem eles ou podemos continuar nossa jornada por aqui sem estar compactuando com esta indústria do descartável?
E ensinar as crianças, consumidores de amanhã (amanhã? que nada... já são, e muito, influenciadas pelo marketing) estes princípios do antidesperdício e da preservação ambiental.
Precisamos de verdade trocar de carro a cada um ou dois anos? E este carro é para atender às necessidades de transporte ou para atender ao ego de seus proprietários?
Que tal deixar o carro mais um pouco e usar este dinheiro para fazer uma viagem significativa?
E que tal deixar o carro na garagem? Ou vendê-lo?

E agir desta maneira com tudo: eletrodomésticos, roupas, calçados, recursos naturais.
E brinquedos para as crianças. É impressionante a quantidade de crianças que nem sabem quantos e quais brinquedos tem... E mais impressionante ainda é a quantidade de crianças que nunca tiveram um. Vamos repartir?

A filosofia do 'menos é mais' cabe aqui perfeitamente.
Li que aquele que não vê sua riqueza interior exibe riquezas externas como forma de se sentir melhor perante outros. Meio radical, mas tem seu lado verdade...

Trocar o 'ter' pelo 'ser', praticar a interiorização, redefinir a vida.
Ter sim, mais qualidade de vida, menos estress e preocupações.
Há duas maneiras de ter aquilo que é suficiente para nós: uma é acumular cada vez mais, a outra é desejar menos.
Aqui você faz a escolha.

Alguns exemplos para começar a praticar a SV:
* Uma residência do tamanho ideal à quantidade de pessoas que lá habitam, com materiais que não agridam  a natureza. Madeiras nobres, mármores em extinção, acabamentos caríssimos, dezenas de lâmpadas em um mesmo ambiente... precisa? Certamente não.
* Um carro para cada membro da familia... precisa? Provavelmente não. (isto é quase uma guerra pessoal, pois vejo o trânsito cada vez pior, com motoristas cada vez mais estressados, ar cada vez mais poluído e mesmo assim a venda de carros cresce assustadoramente a cada dia). E antes que alguém pergunte: não, eu não uso mais carro no dia-a-dia.
* Trocar o celular a cada função nova que os fabricantes oferecem também soa desnecessário.  E antes que me perguntem de novo, meu celular, o primeiro que tive, tem apenas dois anos (sim, eu resisti o quanto pude) e está em estado deplorável... E pra falar a verdade, quase nunca é usado.
* Alimentar-se preferencialmente de produtos vindos da região, o que reduz custos e desperdício em função do transporte. Se tiver espaço, plante. Frutas, verduras, legumes. Além de muito mais saudáveis são uma rica fonte de energia vital. Aqui abro um parêntese para falar sobre ela, a carne. Confesso que como carne porque gosto de um churrasco... Mas não como todos os dias, passo semanas sem comer, sem problema. E isso porque ando já a algum tempo namorando com a idéia de abolir de vez a dita cuja do cardápio. Não por questões de saúde, nem de gosto, mas por questões espirituais. Será que consigo?
* Exercitar-se não requer gastar fortunas com academias caríssimas. Caminhar, correr e, se morar no litoral, nadar, são práticas que podem ser realizadas em qualquer rua, parque, praça ou praia. E aproveitando para observar as árvores, ouvir os passarinhos... Cuidar do corpo e do espírito ao mesmo tempo.
* Roupas, sapatos e acessórios. Outro item que dá o que falar...rs.  O que a SV prega é ter somente aquilo que realmente vamos usar, sem exagero nem desperdício. Preferir comprar poucas peças de qualidade, que duram mais,  a várias descartáveis. Ter o necessário, abrir mão do supérfluo.
Abraçando a SV, reduzimos o lixo, a poluição, o despedício, as preocupações, as doenças, o estress, a ansiedade. Não basta? Então o tiro de misericordia: diminuímos as preocupações com dinheiro. Sim, porque comprando e consumindo menos há de sobrar algum para você fazer algo que gosta (viajar, doar, ir a uma peça ou show...).

Em outro blog li dias atrás um comentário de uma mulher que dizia estar plenamente feliz, vivendo com seu marido francês (os europeus são mais simpáticos a estas idéias que nós ou os norte-americanos, embora estes estejam beeem devagarinho mudando seus conceitos) em uma casinha no campo, com seus cabelos brancos assumidos, sem usar maquiagem e vivendo uma vida verdadeiramente sem complicações. E que feliz assim comtempla belos pores-do-sol tomando um bom vinho e de bem com a vida.
Isto exemplifica na prática uma frase de Frei Betto:

"Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor.
 Cultiva neles os desejos do espírito.
 Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o    
 habita"

É isso...