Então, respondendo: esta cidade da serra catarinense é um pedaço de terra cercado de belezas por todos os lados.
A 980 mts de altitude e considerado o ponto mais frio do Brasil, encontra-se em um vale com majestosas montanhas ao redor. Aqui sou suspeita porque muitos que me leem agora sabem da minha paixão por montanhas.
Está distante aproximadamente 100 kms de Lages e 170 kms de Florianópolis, via BR 282.
Mas vamos ao que interessa. Esta é a 'grande' Urubici, vista de um dos mirantes existentes na região:

A igreja matriz parece desproporcional ao tamanho da cidade e durante a visita básica de turista ao seu interior esta impressão ficou mais forte. Difícil imaginar seus bancos lotados. Conversando com pessoas locais fui informada que durante a presença das madeireiras na região isto acontecia com frequência, mas depois da proibição do corte das árvores pelo IBAMA e consequente retirada dos madeireiros, a igreja ficou, digamos assim, com assentos sobrando. Pois eu prefiro uma igreja vazia de pessoas do que montanhas vazias de mata.
Sem dúvida a menina dos olhos da cidade está a 30 kms do centro e pode ser admirada do alto do Morro da Igreja : a famosa Pedra Furada. Uma formação rochosa curiosa, com uma abertura em torno de 30 mts.
Mas ela não reina sozinha. O que chama a atenção é a paisagem exuberante que se tem em volta. Mais uma vez digo que fotografia nehuma é capaz de reproduzir com exatidão o que os olhos conseguem enxergar.
Tivemos a sorte de ver a região com e sem neblina. Em questão de uns 30 minutos talvez, ela começou a aparecer devagarinho, pedindo licença a todos os presentes e tomou conta do espaço, criando uma aura diferente... Sensação de tocar as nuvens.

A Pedra quase sumiu....
Cadê a Pedra mesmo?
No topo do Morro, o ponto mais alto de Santa Catarina com mais de 1.800 mts, fica um dos DTCEA (Destacamento de Controle do Espaço Aéreo) do Cindacta II (sediado em Curitiba) que fornece informações e dados de suporte. Ali, infelizmente, a entrada é proibida.
O máximo que consegui fotografar, embora como o oficial de plantão falou, em tempos de GoogleMaps e satélites poderosos essa história de sigilo é meio complicada...
A estrada de acesso ao Morro tem curvas lindas (como a maioria por lá) e faz a festa dos adeptos do cicloturismo. Aliás, toda a região é propícia ao ciclismo e muitos vão dar suas pedaladas na região. Existem vários pacotes especialmente criados para esse fim. É só dar uma busca na internet e achar rapidinho.
Turma se preparando para a descida do morro, com apoio de uma empresa da cidade especializada em ecoturismo. Como paramos no caminho nos mesmos pontos que eles e nos mesmos horários, pude observar o apoio do pessoal da agência.
É ou não um convite a pegar uma bicicleta ou moto e sair por aí?
Na descida do Morro, temos alguns pontos considerados turísticos que vale a parada. Um deles é a cascata Véu de Noiva (um dia ainda vou fazer um levantamento de quantas cachoeiras existem no Brasil com este original nome...). Está em propriedade particular, paga-se R$3,00 a entrada por pessoa. Infraestrutura para o turista, com lanchonete, venda de souvenirs e bwc. Bonito lugar, diferente do que eu havia imaginado vendo fotos antes da viagem.
Entrada da propriedade onde está a cascata.
Somente depois me dei conta que não fotografei a cascata de frente... essa é única foto que tenho, tirada do caminho. Mas existem várias fotos dela na internet, para os que quiserem.
No local existe a possibilidade de fazer tirolesa, pequena em extensão mas de altura considerável. Claro que lá fui eu, experimentar.
E a preparação para a volta:
Outro ponto na descida é a Gruta Nossa Sra. de Lourdes, que vale mais pela formação rochosa do lugar e pela pequena cascata que cai em frente às grutas onde estão os altares religiosos. Segundo informações, o local foi um antigo cemitério indígena.
Vista frontal das grutas, com a queda d'água à frente.
Muitos objetos, fotos e placas de agradecimento.
A fé que move às montanhas (com crase mesmo).
Mais abaixo, quase no final da descida está o chalé que mereceu um post exclusivo. Ver postagem anterior.
Para o mesmo lado do Morro da Igreja, está o caminho para a Serra do Corvo Branco. Era um lugar que eu gostaria muito de ter ido. E bem que tentei. Fui até um pedaço mas sem chegar sequer no topo onde vê-se o famoso corte nas rochas por onde a estrada passa. A estrada está em obras, com muitas pedras e buracos e o escapamento do carro que já estava balançando depois de tanto chão batido não iria aguentar. Lembrei de um outro blog onde o dono escreveu "perdi meu escapamento em Urubici" e tinha certeza que o mesmo aconteceria comigo. Única lembrança frustrante da viagem.
Aqui um pedaço da estrada que parecia asfalto, se comparado ao resto.
Macieiras carregadas alegram a vista ao largo da estrada.
Do outro lado da cidade, em direção oposta, pela estrada que leva a São Joaquim, paramos no Morro do Avencal para conhecer as inscrições rupestres feitas por povos antigos que habitavam a região. À primeira vista me pareceram bem semelhantes àquelas que existem em Imbituba, litoral próximo.
Por esta mesma estrada (por sinal, linda, cheia de curvas lindas e paisagens idem) chega-se ao acesso à Cascata do Avencal. Semelhante à das Andorinhas em Itaimbezinho, a água despenca em queda livre a 100 mts de altura. Outra propriedade particular, ao custo de R$3,00 per capita. A estradinha de acesso também encontra-se esburacada e com muitas pedras, mas algo dentro de mim diz que deve permanecer assim (talvez com menos buracos, mas asfalto não...). Vale muito a visita, pela cascata e também pela vista do local. O acesso à parte baixa estava proibido devido às chuvas que caíram na semana anterior. Pena.
Beleza perto...
...e beleza ao longe.
Para quem preferir, há área de camping na propriedade.
Simpático. Alíás, Urubici é terra de vacas gordas. E cavalos bonitos e bem tratados.
Novamente em outra direção (não disse que a cidade é cercada de beleza por todos os lados?) está o Morro da Cruz. Encaramos uma subida a pé no fim da tarde e para sorte nossa não havia mais ninguém lá em cima, o que se traduz em silêncio e contemplação.
Subindo !
Que vista !
Então, aquele pontinho apontado pela seta não é uma vaca... é o carro que ficou lá embaixo.
E para sentir um pouquinho do clima, um videozinho com os sons locais:
Belo fim de tarde.
Para não perder o clima, em outro dia fomos até o Arroio do Engenho (mais uma vez, particular, cobrando R$2,00 de cada). Com área de camping e piscinas com água natural. Mas o que nos levou lá foi a trilha de 1 km no meio da mata, que leva a outra cascata. Não menos bela, porém mais intimista. Com direito a arco-iris na pedra e momentos de meditação e energização com os pés na água. A trilha linda. As fotos ficaram escuras justamente por ser em meio à vegetação.Mas duas eu coloco aqui, para dar idéia do local:
E a cascata (que não coube inteira no visor):
Existem perto de 88 cachoeiras em Urubici. O tempo foi pouco e fomos embora sem conhecer nada além dos pontos mais conhecidos. Eu senti falta de uma estrutura de informação maior. Não havia nenhum mapa além de um desenhado precariamente à mão. Também senti que os locais que com certeza existem e devem ser os mais bonitos, são acesados apenas com a contratação de guias locais e que viajantes independentes sentem muita dificuldade em descobrir como chegar a estes pontos por conta própria. Urubici está acordando para o turismo em todas as épocas do ano e não apenas no inverno, então tudo indica que estas dificuldades tendem a acabar.
Saindo da cidade, fomos até o mirante da Serra do Rio do Rastro. Que proporcionou novamente visuais incríveis, e outros nem tanto. Você vai entender vendo as fotos.
Cascata à beira da estrada.
As curvas das estradas fazem a região ser um paraíso para motociclistas.
No mirante da Serra do Rio do Rastro, o rastro dos amigos sob duas rodas.
A estrada serpenteando em meio à serra.
Mas eis que no meio de tamanha beleza, e como infelizmente sempre acontece onde o fluxo de turistas é grande, a paisagem muda um pouco:
Lixo...
Lixo...
Lixo novamente...
Muito lixo!
Eu olhei em volta e realmente não vi lixeiras, mas essa desculpa não 'cola'. É só levar um saquinho e depois levar o lixo embora... Simples, não?
E aproveitando o zoom da camera flagrei isso:
Salgadinhos para o pobre bichinho? Tá bom, é bonitinho ver o peludinho vir pegar comida na mão do turista... Mas a região tem tantas frutas, aposto que ele não ia reclamar se ganhasse um pedaço de maçã...
E para finalizar este post, uma foto que me fez pensar "puxa... que pena que não é o caso agora..." :
Se valeu a pena? Claro !! Cada km rodado, cada km caminhado, a poeira, as dores nas pernas, até o foguetório e a música eletrônica noite adentro em pleno carnaval que não nos deixou dormir. Apesar de tudo, saí de lá sem nenhuma vontade de voltar à loucura da cidade. Meu coração tem pedaços espalhados em lugares por onde passei e me encantei. E sem dúvida um pedacinho dele ficou naquelas montanhas.










































Todas essas fotos são suas? Estão sensacionais! Parabéns!!! Beijo!
ResponderExcluirAdorei, adorei, adorei os relatos! Revivi minha viagem. Infelizmente, por termos ido de moto custom e ainda por cima com tempo contado, não pudemos visitar nem metade das atrações de Urubici... Fiquei com vontade de ir com mais tempo e visitar essas cachoeiras e a famosa pedra furada. Agora me diga uma coisa, a temperatura nessa época fica em torno de quanto? Pq olha, vou te falar, em setembro o bicho pega!
ResponderExcluirE sabe a foto dos adesivos? Quase ao centro da foto esta um aonde se lê fiéis a liberdade. Este adesivo é de um casal de amigos nossos, que viajaram com a gente! Cool, nao?! =)
E o seu post já vai começar a rodar entre os motoqueiros! Beijooo!
Sil, o lugar é lindo! Qdo eu fui só tinha uma neblina imensa, não consegui ver nada da pedra furada. Mas o passeio é maravilhoso, suas fotos estão lindas.bjsss!!!Carla
ResponderExcluirZaba, esqueci, mas as fotos são minhas sim. Bj!!
ResponderExcluirBê: sabe que u tirei várias fotos daquelas janelas cheias de adesivos e escolhi bem essa?
Quanto à temperatura, para minha tristeza estava bem + quente do que eu gostaria: de dia uns 22° e à noite uns 16/17°..
Oi, Carla! Sabe que quase pegamos tudo fechado pela neblina também?